A medicalização do fracasso escolar na concepção dos pais e/ou responsáveis de crianças com queixa escolar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/OT2021v23.n.3.62210

Palavras-chave:

Medicalização, Queixa- Escolar, Fracasso escolar, Psicologia Histórico-Cultural

Resumo

As intervenções médicas na área da educação são cada vez mais frequentes e recorrentes como alternativa para superação do fracasso escolar das crianças. Nesse sentido, o estudo investigou a medicalização do fracasso escolar na concepção dos pais e/ou responsáveis de crianças com queixa escolar. Foi realizada pesquisa qualitativa pautada na Teoria Histórico-Cultural com a participação de cinco (5) responsáveis pelas crianças com queixa escolar atendidas no ano de 2019, no projeto de extensão Orientação à Queixa Escolar da Universidade Federal de Catalão.  Para a obtenção dos dados realizou-se entrevistas semiestruturadas analisadas à luz da Teoria Histórico-Cultural. Notou-se posicionamento contrário à medicalização do fracasso escolar por parte das responsáveis, além disso, elas apontaram a escola como principal lugar de produção da queixa escolar. As entrevistadas relataram melhoras no comportamento e na superação da queixa escolar das crianças, mediante a participação no projeto de extensão Orientação à Queixa Escolar. Dessa forma, a mediação de qualidade pautada em questões sociais, históricas e educacionais foi observada como eficaz para a superação do fracasso escolar.

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Biografia do Autor

Janaina Cassiano Silva, Universidade Federal de Catalão- UFCAT

Doutora em Educação. Professora no curso de Psicologia e no programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Catalão- UFCAT.

Ana Clara de Arruda Nunes, Universidade Federal de Catalão

Graduanda em Psicologia na Universidade Federal de Catalão- UFCAT

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Publicado

2021-09-29

Como Citar

CASSIANO SILVA, J.; ARRUDA NUNES, A. C. de. A medicalização do fracasso escolar na concepção dos pais e/ou responsáveis de crianças com queixa escolar. Olhares & Trilhas, [S. l.], v. 23, n. 3, p. 1104–1127, 2021. DOI: 10.14393/OT2021v23.n.3.62210. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/olharesetrilhas/article/view/62210. Acesso em: 13 ago. 2022.