Apagamento e acréscimo fonológicos na libras
um estudo baseado em dados espontâneos
DOI:
https://doi.org/10.14393/DLv19a2025-28Palavras-chave:
Acréscimo, Apagamento, Dados espontâneos, Processos fonológicos, LibrasResumo
Semelhantemente às línguas orais, as línguas de sinais são constituídas de um componente fonológico. Isso equivale a dizer que tais línguas também contam com um inventário de unidades distintivas e de regras que regem sua combinação (fonotaxe). Some-se a isso o fato de que as línguas sinalizadas também apresentam processos que podem resultar na assimilação, na metátese (troca de posição), no apagamento ou no acréscimo de material fonológico na produção de seus itens lexicais. Este trabalho, um recorte da dissertação de Silva (2024) sobre processos fonológicos na língua brasileira de sinais, libras, reporta os resultados obtidos na referida investigação em relação a dois desses processos, a saber, o apagamento e o acréscimo. Tais resultados decorrem da análise de dados espontâneos obtidos de 59 vídeos do Youtube, contendo produções de um mesmo sinalizante surdo goiano. De um total de 15 horas e 58 minutos de gravação, foram identificadas 54 ocorrências de apagamento e acréscimo, as quais foram subclassificadas, seguindo Silva (2024), no primeiro caso, como apagamento de repetição de movimento, não realização do contato, apagamento da mão não dominante, do movimento e da suspensão final ou ainda como distalização (realização do movimento com articulação mais distante do tronco). Já no segundo caso, as ocorrências foram subclassificadas como adição da mão não dominante e de movimento, o aumento da trajetória e proximalização (realização do movimento com articulação mais próxima do tronco). Nossos resultados mostram, em relação ao apagamento, que tal processo se manifestou através do apagamento (1) da repetição do movimento em 29% dos casos, (2) da não realização do contato e (3) do apagamento da mão não dominante igualmente em 19%, (4) do movimento em 14% e (5) da suspensão final em 10% e (6) da distalização em 10%. Quanto aos processos de acréscimo, observamos sua manifestação através da (1) adição da mão não dominante em 36% e (2) de movimento em 36%, (3) do aumento da trajetória em 18% e (4) da proximalização em 9%. Alguns casos de apagamento da repetição do movimento parecem ser motivados pela posição medial do sinal no enunciado e alguns casos de apagamento e acréscimo da mão não-dominante, decorrer de um processo assimilatório. Para os demais casos de apagamento e acréscimo, no entanto, a pequena quantidade de dados nos impediu de levantar possíveis motivações para sua ocorrência.
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