Chamada

Caros autores, já estamos recebendo trabalhos para o volume 21 (2027) da DL.

A revista, entretanto, se tornará bilíngue a partir de 2027 (nos pares inglês/português ou inglês/espanhol); artigos aceitos a partir de julho de 2026, com submissões em português, inglês ou espanhol, deverão ser traduzidos (pelos próprios autores) para o outro par de língua. Contamos com a compreensão de todos!

Verifique as seções temáticas do volume 21. Período de submissão: 01.10.2026 - 30.06.2027.

 

Ensino e aprendizagem de português escrito para surdos – Teoria e prática

Organização: Simone Gonçalves de Lima (IFSC); Sandra Patrícia de Faria-Nascimento (UNB); José Carlos de Oliveira (UFU)

Ementa

O ensino da língua portuguesa para estudantes surdos, surdocegos, com deficiência auditiva (sinalizantes), surdos com altas habilidades e superdotação e surdos com deficiências associadas, tem sido pautado em legislação e documentos oficiais, tais como o “Plano Nacional de Educação” – PNE, Lei nº15.388/2026, a “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” – LDB, Lei nº 9.394/1996, atualizada pela Lei 14.191/202, Decreto 5.626/200251 e a “Proposta curricular para o ensino de português escrito como segunda língua para estudantes surdos da educação básica e do ensino superior” (Faria-Nascimento, et al. 2021). A modalidade da educação bilingue de surdos, em Libras e em português escrito, emerge no sistema educacional brasileiro, posicionando a Libras como língua de ensino, instrução, comunicação e interação, tanto em sua representação articulada, quanto em sua forma escrita, e posicionando o português escrito como língua de instrução, inserido nos materiais didáticos, textos impressos e em suportes visuais, em sua representação escrita. Esses avanços em relação ao ensino do Português Escrito como Segunda Língua para Estudantes Surdos – PSLS trazem consigo, entre outras demandas, a emergência da formação de professores, produção de material didático-pedagógico e da organização de currículos para o ensino de PSLS, bem como para o ensino da Língua de Sinais Brasileira. Nesse sentido, buscam-se trabalhos enquadrados sob os mais diferentes vieses teórico-metodológicos, incluindo abordagens interdisciplinares. Para tanto, aceitam-se textos que versem sobre os seguintes tópicos:

  1. Aquisição/aprendizagem de PSLS;
  2. Formação de professores para o ensino de PSLS;
  3. Produção de materiais didáticos para o ensino de PSLS;
  4. Práticas de ensino de PSLS nos primeiros anos do Ensino Fundamental;
  5. Práticas do ensino de PSLS na educação básica e no ensino superior;
  6. O emprego de tecnologias no ensino de PSLS;
  7. Análise de produções textuais em português escrito por surdos;
  8. Gêneros textuais e ensino de PSLS;
  9. Português instrumental para surdos;
  10. O trabalho do professor de PSLS;
  11. O discurso atual sobre o ensino de PSLS;
  12. Tecnologias e ensino de SPLS;
  13. Professores surdos e ensino de PSLS;
  14. O papel da Libras no ensino de PSLS;
  15. BNCC e ensino de PSLS.

 

Linguagem em tempos de Inteligência Artificial: desafios éticos, políticos e epistemológicos diante dos vieses algorítmicos

Organização: Kleber Aparecido da Silva (UnB), Mércia Regina Santana Flannery (University of Pennsylvania)

Ementa

Os rápidos avanços da Inteligência Artificial Generativa vêm redefinindo as formas de produção, circulação e legitimação da linguagem em praticamente todos os domínios da vida social. Modelos de linguagem de larga escala, sistemas automatizados de classificação, reconhecimento de fala, tradução automática, moderação de conteúdos e algoritmos de recomendação passaram a ocupar papel central na organização das interações humanas, dos processos educacionais, da comunicação pública e das políticas digitais. Contudo, longe de constituírem tecnologias neutras, esses sistemas incorporam valores, ideologias e desigualdades historicamente produzidas pelas sociedades que os desenvolvem.

Na Linguística Aplicada Crítica, torna-se cada vez mais evidente que os algoritmos também operam como dispositivos de produção de linguagem, de classificação social e de distribuição desigual do reconhecimento, reproduzindo formas sofisticadas de colonialidade, racialização e exclusão. Nesse cenário, estudos na Sociolinguística Crítica e Raciolinguística, por exemplo, oferecem um importante arcabouço teórico para compreender como a identidade social e a linguagem continuam sendo coconstruídas em ambientes digitais por meio de processos automatizados que naturalizam hierarquias sociais e epistemológicas.

Esta seção temática propõe reunir pesquisas que investiguem criticamente as relações entre linguagem, Inteligência Artificial, racismo algorítmico, misoginia algorítmica, LGBTfobia algorítmica, capacitismo digital, xenofobia automatizada e outras formas de discriminação produzidas ou amplificadas por sistemas computacionais. Interessa-nos compreender como modelos de IA participam da produção de novas formas de violência linguística, exclusão discursiva e injustiça comunicativa, bem como discutir possibilidades de resistência, justiça algorítmica, governança ética, regulação e construção de tecnologias comprometidas com os direitos humanos.

São particularmente bem-vindas contribuições fundamentadas na Linguística Aplicada Crítica, na Raciolinguística, na Sociolinguística Crítica, nos Estudos Decoloniais, na Teoria Crítica da Raça, nos Estudos Feministas, nos Estudos Queer, nos Estudos da Deficiência, na Ética da Inteligência Artificial e em perspectivas do Sul Global que problematizem a produção contemporânea das desigualdades digitais. O objetivo do dossiê é consolidar um espaço interdisciplinar de debate sobre as implicações linguísticas, sociais, éticas e políticas da Inteligência Artificial, ampliando as discussões sobre justiça linguística, justiça algorítmica e democracia digital no contexto brasileiro e internacional.

 

Temáticas sugeridas

Raciolinguística, Linguística Aplicada Crítica e Inteligência Artificial

  1. Fundamentos teóricos da Raciolinguística e da Linguística Aplicada Crítica.inguagem, raça, poder e tecnologias digitais;
  2. IA, colonialidade da linguagem e epistemologias do Sul;
  3. Justiça linguística e justiça algorítmica;
  4. Perspectivas decoloniais sobre Inteligência Artificial;
  5. Educação Linguística, Multilinguismo e Formação Crítica na Era da IA;
  6. Inteligência Artificial e ensino de línguas; 
  7. Formação docente para o uso crítico da IA;
  8. Multilinguismo, translanguaging e tecnologias digitais; 
  9. Letramentos críticos e IA; 
  10. Inclusão, acessibilidade e educação linguística;
  11. Ética da IA em contextos educacionais.