A tradução literária como locus para uma reflexão sobre a influência dos discursos coloniais a partir da análise de Sleepwalking Land

Autores

  • Iá Niani Belo Maia Universidade Estadual da Paraíba
  • Sinara de Oliveira Branco Universidade Federal de Campina Grande

DOI:

https://doi.org/10.14393/DL23-v10n3a2016-10

Palavras-chave:

Tradução Literária, Estratégias de Tradução, Cultura

Resumo

O objetivo do presente artigo é discutir as estratégias utilizadas na tradução da obra Terra Sonâmbula para o inglês, Sleepwalking Land. Posto que a escrita de Mia Couto se realiza enquanto modo de ruptura de uma lógica ocidental, evidenciada no caráter contraventor de suas narrativas, observamos de que forma o tradutor lidou com algumas especificidades linguísticas presentes em Terra Sonâmbula. Em seguida, direcionamos a análise para a apreciação da importância cultural nos estudos da tradução, buscando compreender como os elementos locais da cultura moçambicana foram transpostos para o contexto da língua inglesa em Sleepwalking Land, a partir das estratégias de domesticação e estrangeirização, discutidas por Venuti (1995), e das tendências deformadoras na tradução literária, debatidas por Berman (2012). Os resultados demonstram que a estratégia de domesticação foi predominante em Sleepwalking Land, causando a mitigação das significâncias culturais presentes em Terra Sonâmbula. Quanto à estratégia de estrangeirização, as conclusões apontam para um processo de ressignificação cultural não menos coercitivo, uma vez que contribui para perpetuação de estereótipos e compromete a simetria da inter-relação cultural.

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Biografia do Autor

Iá Niani Belo Maia, Universidade Estadual da Paraíba

Doutoranda em Literatura e Interculturalidade na Universidade Estadual da Paraíba.

Sinara de Oliveira Branco, Universidade Federal de Campina Grande

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Publicado

26.08.2016

Como Citar

MAIA, I. N. B.; BRANCO, S. de O. A tradução literária como locus para uma reflexão sobre a influência dos discursos coloniais a partir da análise de Sleepwalking Land . Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 10, n. 3, p. 957–976, 2016. DOI: 10.14393/DL23-v10n3a2016-10. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/33029. Acesso em: 5 dez. 2022.