A outra ponta da agricultura de ponta: recôndita luta quilombola da comunidade Saco das Almas frente à espacialização do agronegócio no município de Brejo no Maranhão
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT2182978Parole chiave:
conflitos agrários, agronegócio, Quilombo Saco das AlmasAbstract
O presente artigo apresenta uma análise dos impactos da territorialização e espacialização da sojicultura em território maranhense que, se por um lado geram riqueza e abundância para os representantes do agronegócio, por outro, atingem negativamente os povos originários e os povos tradicionais, cujo modo de vida é afetado tanto pela expropriação de seus territórios por meio da grilagem de terra, à qual eles reagem, fazendo surgir os conflitos socioterritoriais, quanto pelas mudanças ecossistêmicas decorrentes do desmatamento do bioma do Cerrado, no caso específico em análise, assim como pela contaminação do meio ambiente devido ao uso excessivo de agrotóxicos que afetam a biodiversidade local, suscitando, então, o surgimento de conflitos socioambientais. Desse quadro geral da Região Imediata de Chapadinha no Maranhão, destacamos o quilombo Saco das Almas, diretamente afetado, onde seus moradores, que sofrem as agruras provocadas pela expansão predatória da fronteira agrícola, elaboram estratégias de luta e resistência contra toda sorte de violência advinda de representantes do agronegócio, reivindicam a regularização de seu território, clamam por políticas públicas que possam sanar tais questões ou pelo menos mitigá-las, viabilizando a manutenção do seu modo de vida e sua reprodução social.
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