A outra ponta da agricultura de ponta: recôndita luta quilombola da comunidade Saco das Almas frente à espacialização do agronegócio no município de Brejo no Maranhão

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.14393/RCT2182978

Palabras clave:

conflitos agrários, agronegócio, Quilombo Saco das Almas

Resumen

O presente artigo apresenta uma análise dos impactos da territorialização e espacialização da sojicultura em território maranhense que, se por um lado geram riqueza e abundância para os representantes do agronegócio, por outro, atingem negativamente os povos originários e os povos tradicionais, cujo modo de vida é afetado tanto pela expropriação de seus territórios por meio da grilagem de terra, à qual eles reagem, fazendo surgir os conflitos socioterritoriais, quanto pelas mudanças ecossistêmicas decorrentes do desmatamento do bioma do Cerrado, no caso específico em análise, assim como pela contaminação do meio ambiente devido ao uso excessivo de agrotóxicos que afetam a biodiversidade local, suscitando, então, o surgimento de conflitos socioambientais. Desse quadro geral da Região Imediata de Chapadinha no Maranhão, destacamos o quilombo Saco das Almas, diretamente afetado, onde seus moradores, que sofrem as agruras provocadas pela expansão predatória da fronteira agrícola, elaboram estratégias de luta e resistência contra toda sorte de violência advinda de representantes do agronegócio, reivindicam a regularização de seu território, clamam por políticas públicas que possam sanar tais questões ou pelo menos mitigá-las, viabilizando a manutenção do seu modo de vida e sua reprodução social.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Lyandra Ferreira Rabêlo, Universidade Estadual do Maranhão

    Graduanda em Geografia Licenciatura na UEMA, Campus São Luís, e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Questão Agrária e Movimentos Sociais do Campo (GEPQAM). Atualmente, atuando na pesquisa intitulada ''Fronteira e Conflitos Socioterritoriais: Atravessamento do Agronegócio sob as Comunidades Camponesas do Município de Brejo na Microrregião de Chapadinha, Maranhão''. Este estudo explora os conflitos socioterritoriais e a questão agrária na região, buscando analisar esses processos, destacar a resistência das comunidades frente às pressões econômicas e tecnológicas, e evidenciar as relações assimétricas de poder que impactam a população tradicional da área.

  • Vanderson Viana Rodrigues, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

    Doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO) da Unicamp, Campus Campinas/SP, Mestre em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGG) da Universidade do Estado do Pará (UEPA), campus Belém/PA, Pós-graduando em Geografia do Brasil, pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), Espírito Santo/ES, Pós-graduado em Meio Ambiente, Desenvolvimento e Sustentabilidade, pela Universidade Cândido Mendes (UCAM), Rio de Janeiro/RJ, Graduado em Geografia Licenciatura pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus São Luís/MA. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre a Questão Agrária e Movimentos Sociais - GEPQAM/UEMA/CNPQ e do Grupo de Pesquisa Territorialização camponesa na Amazônia - GPTECA/UEPA/CNPQ. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Ensino da Geografia, Análise Regional e Análise Territorial atuando principalmente nos seguintes temas: Educação, Educação do/no campo, Modernização Agrícola, Conflitos agrários, Questão Agrária e Reforma Agrária, Planejamento e Gestão de Politicas Publicas.

  • Ademir Terra, Universidade Estadual do Maranhão

    Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2009) e mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá (2004). É Professor Associado do Departamento de Geografia (DEGEO) da UEMA, atuando como docente permanente nos Programas de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioespacial e Regional (PPDSR) e em Geografia, Natureza e Dinâmica do Espaço (PPGEO). Coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Questão Agrária e Movimentos Sociais do Campo (GEPQAM), no qual desenvolve e articula projetos de pesquisa, extensão e cooperação acadêmica. Desenvolve atividades integradas de ensino, pesquisa, extensão e orientação na área de Geografia, com ênfase em Geografia Agrária, Epistemologia da Geografia, Evolução do Pensamento Geográfico e Teoria e Método da Geografia, ministrando disciplinas em nível de graduação e pós-graduação. Atua na formação de recursos humanos por meio da orientação de trabalhos acadêmicos e de projetos de iniciação científica, além da coordenação e participação em ações de extensão universitária. Possui trajetória consolidada na investigação da questão agrária, com foco em campesinato, movimentos sociais do campo, comunidades tradicionais e ensino de Geografia, contribuindo para o avanço do debate teórico-metodológico e para a formação de pesquisadores na área.

Referencias

ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Disponível em: https://www.gov.br/antaq/pt-br Acesso em 10 abr. 2025.

BENATTI, José Heder. A lei de regularização fundiária e o debate sobre justiça social e proteção ambiental na Amazônia. Hiléia–Revista do Direito Ambiental da Amazônia, n. 11, jul.-dez. 2008, e n.12, jan-jun. 2009, p. 15-30.

BRASIL. Decreto n. 4.887, de 20 de novembro de 2003. Considera remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnico-raciais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 nov. 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4887.htm. Acesso em: 20 out. 2025.

CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil, 2008-2016. Goiânia: CPT Nacional, 2000-2024.

CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no campo Brasil 2023 / Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno. Goiânia: CPT Nacional, 2024. 214 p.: il., tabelas, gráficos, fotografias.

FAVARETO, Arilson; NAKAGAWA, Louise; PÓ, Marcos; SEIFER, Paulo; KLEEB, Suzana. Entre chapadas e baixões do Matopiba: dinâmicas territoriais e impactos socioeconômicos na fronteira da expansão agropecuária no cerrado. São Paulo: Ilustre Editora, 2019. 272 p.

FERNANDES, Bernardo Mançano. Agronegócio e Reforma Agrária. In: ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA, 17., 2004, Gramado - RS. Tradição x Tecnologia: as novas territorialidades do espaço agrário brasileiro. Anais ... Porto Alegre: UFRGS, 2004.

GASPAR, Rafael Bezerra. O eldorado dos gaúchos: Deslocamento de agricultores do Sul do país e seu estabelecimento no Leste Maranhense. Dissertação (Mestrado). São Luís, Universidade Federal do Maranhão, 2010.

GRAZIANO NETO, Francisco. Questão Agrária e Ecologia: Crítica da Agricultura Moderna. São Paulo: Brasiliense, 1985.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brejo (Maranhão): panorama. 2025. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ma/brejo/panorama. Acesso em: 7 jul. 2026.

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. TerraBrasilis – Dashboard de Desmatamento: incrementos no bioma Cerrado. 2023. Disponível em: https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/cerrado/increments. Acesso em: 10 jul. 2025.

KAUTSKY, Karl. A questão agrária. 3. ed. São Paulo: Proposta Editorial, 1980.

LEÃO, Sandro Augusto Viégas. Agronegócio da soja e dinâmicas regionais no Oeste do Pará. Rio de Janeiro, 2017.

MAIA, Joseane. Herança quilombola Maranhense: história e estória. São Paulo: Paulinas, 2012.

MARANHÃO. Lei n. 2.979 de 17 de julho de 1969. Dispõe sobre as terras de domínio público e dá outras providências. In: GONÇALVES, Maria de Fátima da Costa. A reinvenção do Maranhão dinástico. São Luís: UFMA/PROIN, 2000.

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Abril Cultural, 1983. Os economistas, v. 1, p. 20

MOURA, Clóvis. Rebeliões da Senzala. 3. ed. São Paulo: Lech, 1983.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. O campo brasileiro no final dos anos 80. In: STÉDILE, J. P. (coord.). A questão agrária hoje. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS, 1994. p. 45-67.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. Modo de Produção Capitalista, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: FFLCH, 2007. 184p.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. A fronteira amazônica mato-grossense: Grilagem, Corrupção e Violência. São Paulo: Iandé Editorial, 2016, 530p.

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993.

RODRIGUES, Vanderson Viana; TERRA, Ademir. O drama camponês no cerrado sul maranhense: conflitos socioterritoriais no campo em Balsas – MA. Campo-Território: revista de Geografia Agrária, Uberlândia, v. 13, n. 31, p. 191-207, dez. 2018. DOI: https://doi.org/10.14393/RCT133108.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

SHANIN, Teodor. Lições camponesas. In: PAULINO, Eliane Tomiasi; FABRINI, João Edmilson (org.). Campesinato e territórios em disputa. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2008, p. 23–47.

SILVA, Lenyra Rique da. A natureza contraditória do espaço geográfico. São Paulo: Editora Contexto, 1991.

TERRA, Ademir. Conflitos socioambientais no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. In: PORTO, Iris Maria Ribeiro (org.). Geografias em questão. São Luís: Editora UEMA, 2016, p. 177-204.

Publicado

2026-08-06

Cómo citar

RABÊLO, Lyandra Ferreira; RODRIGUES, Vanderson Viana; TERRA, Ademir. A outra ponta da agricultura de ponta: recôndita luta quilombola da comunidade Saco das Almas frente à espacialização do agronegócio no município de Brejo no Maranhão. Revista Campo-Território, Uberlândia, v. 21, p. e2182978, 2026. DOI: 10.14393/RCT2182978. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/campoterritorio/article/view/82978. Acesso em: 6 aug. 2026.