Licenciatura em Educação do Campo
interculturalidade e formação a partir das experiências dos sujeitos
DOI:
https://doi.org/10.14393/REP-2026-81964Palavras-chave:
Educação do campo, Interculturalidade, Povos e Comunidades Tradicionais (PCT), Formação docente, Ensino superiorResumo
Este artigo analisa como se configuram os diálogos interculturais na Licenciatura em Educação do Campo na Universidade Federal do Espírito Santo (LEdoC/Ufes), a partir das experiências formativas de estudantes oriundos de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT). A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza interpretativa, fundamentada na perspectiva freireana de educação como prática dialógica; como estratégia metodológica, utilizou-se o Círculo de Cultura em formato virtual. Os dados foram produzidos por meio de narrativas orais, registradas em áudio e analisadas a partir da abordagem de análise temática, buscando identificar sentidos atribuídos à formação na LEdoC. Os resultados indicam que a licenciatura se constitui como espaço de articulação entre saberes acadêmicos e conhecimentos dos territórios, contribuindo para a valorização das identidades e das experiências dos estudantes. Por outro lado, os dados revelam limites na efetivação da proposta intercultural, especialmente no que se refere à consolidação do Tempo Comunidade (TC) como espaço de produção de conhecimento e ao reconhecimento dos saberes tradicionais no contexto acadêmico. Conclui-se que a interculturalidade, no âmbito da LEdoC, materializa-se de forma tensionada, marcada por avanços e limites, evidenciando a necessidade de fortalecimento das relações entre universidade e território.
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