Por que os Direitos Humanos não vingaram no Brasil?

Contribuições da Semiótica Discursiva para um debate civilizatório

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/LL63-v36n1-2020-12

Palavras-chave:

Semiótica, Direitos Humanos, Semiótica tensiva, Comunicação Social, Democracia

Resumo

O Brasil construiu, após o período da Redemocratização, um senso comum avesso aos Direitos Humanos. A despeito do conteúdo jurídico igualitário e ético do humanismo, militantes, estudiosos e profissionais humanistas são vistos de forma negativa por parte da população. A compreensão das estratégias enunciativas utilizadas para difundir esse entendimento integra o esforço para o enfrentamento de um estado de coisas de crescente radicalização política e restrição de direitos no final da década de 2010. A semiótica discursiva oferece um arcabouço abrangente de ferramentas de análise aplicáveis a esses discursos de ódio, desde o percurso gerativo de sentido até a abordagem tensiva com seus estudos da dimensão sensível da significação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcos da Veiga Kalil Filho, Universidade Federal Fluminense

Doutorando e Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense, Advogado, Jornalista, Professor da Universidade Estácio de Sá

Referências

ALVES, C. Nova estratégia para os Direitos Humanos. Chico Alves, 2016. Disponível em: http://www.chicoalves.com.br/2016/01/25/nova-estrategia-para-os-direitos-humanos/. Acesso em: 7 fev. 2016.

BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Bauru: EdUSC, 2003.

COUTO NETO, S. Movimento de lei e ordem e a iniquidade do controle social pelo sistema penal no Brasil. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.

EM meio à polêmica do Enem, Bolsonaro chama direitos humanos de “esterco da vagabundagem”. Congresso em Foco, Brasília, 5 nov. 2017. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/direitos-humanos-e-%E2%80%9Cesterco-da-vagabundagem%E2%80%9D-diz-bolsonaro/. Acesso em: 25 de abr. 2020.

FIORIN, J. L. A Semiótica discursiva. In: EMEDIATO, W.; LARA, G. M. P.; MACHADO, I. L (org.). Análises do discurso hoje. V. 1. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. p. 121-144.

FLOCH, J. Alguns conceitos fundamentais em semiótica geral. In: FLOCH, J. Documentos do Centro de Pesquisas Sociossemióticas. São Paulo: CPS, 2001. p. 9-29.

GINTY M. R. Against Stabilization. Stability. International Journal of Security and Development, Ontario, v. 1, 20-30, 2012. Doi: https://doi.org/10.5334/sta.ab.

GREIMAS, A. Sobre o sentido II: Ensaios Semióticos. São Paulo: Edusp, 2014.

GUNTHER, K. Os cidadãos mundiais entre a liberdade e a segurança. Novos estud. – CEBRAP [online], São Paulo, n. 83, p. 11-25, 2009. Doi: https://doi.org/10.1590/S0101-33002009000100002.

HÉNAULT, A. História concisa da Semiótica. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

KALIL FILHO, M. V. Os Humanos Direitos e os Direitos Humanos no Discurso Passional da Grande Mídia Brasileira: Análise Semiótica de Veja e Carta Capital. 2016. 128f. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagem) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Letras, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/handle/1/3423. Acesso em: 20 jun. 2020.

KANT, I. Perpetual peace: a philosophical sketch. In: REISS, H (Ed.). Kant: political writings. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1991. p. 107-108.

MANCINI, R. A semiótica tensiva e o nouveau roman de Nathalie Sarraute. Gragoatá, Niterói, n. 23, p. 79-93, 2. sem. 2007

MANCINI, R. A enunciação tensiva em diálogo. Estudos Semióticos, São Paulo, v. 15, ed. esp., abr. 2019. Doi: https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.156074.

RAMOS, A. Curso de direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 2015.

TATIT, L. Quantificações subjetivas: crônicas e críticas. Cadernos de Letras da UFF, Niterói, n. 42, p. 35-50, 2011.

WILSON Witzel: ‘A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo’. Veja, São Paulo, 1 de nov. 2018. Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/wilson-witzel-a-policia-vai-mirar-na-cabecinha-e-fogo/. Acesso em: 25 abr. 2020.

ZILBERBERG, C. Eloge de la concession. 2004. Disponível em: www.claudezilberberg.net/download/eloge.html. Acesso em: 5 jan. 2016.

ZILBERBERG, C. Razão e poética do sentido. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

ZILBERBERG, C. Elementos de Semiótica Tensiva. Ateliê Editorial: São Paulo, 2011.

Downloads

Publicado

2020-06-28

Como Citar

DA VEIGA KALIL FILHO, M. Por que os Direitos Humanos não vingaram no Brasil? Contribuições da Semiótica Discursiva para um debate civilizatório. Letras & Letras, Uberlândia, v. 36, n. 1, p. 217–236, 2020. DOI: 10.14393/LL63-v36n1-2020-12. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/50526. Acesso em: 18 jul. 2024.