Distinções de texto no Projeto de Gramática do Português Falado no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-33

Palavras-chave:

Gramática, História da Linguística, Perspectiva textual-interativa, Português falado, Texto

Resumo

O Projeto de Gramática do Português Falado (PGPF) foi uma iniciativa, liderada pelo Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho, que se propunha a descrever o português culto falado no Brasil a partir de uma perspectiva própria, com base nos dados do Projeto NURC/Brasil (Norma Urbana Culta).  Essa perspectiva reconhece o funcionamento gramatical das línguas como um sistema composto por três subsistemas (fonológico, morfossintático e textual). No bojo do PGPF nasce a Perspectiva Textual-Interativa (PTI), uma abordagem proposta para fundamentar a descrição do subsistema textual em função da inexistência de uma teoria explicativa das regularidades desse subsistema. Nas formulações teóricas do PGPF e da PTI, se opera um movimento de distinção do termo “texto”. Nosso objetivo, neste artigo, é recuperar, histórica e epistemologicamente, essas distinções. Do ponto de vista metodológico, realizamos um estudo bibliográfico com base em apresentações/introduções dos trabalhos produzidos pelo PGPF, em um trabalho sobre o percurso de formação do PGPF e em estudos específicos que fundamentam a PTI. Uma das distinções associa texto ao lugar onde as regularidades do funcionamento da língua são percebidas, ou seja, texto é uma noção equivalente a atividade linguística propriamente dita e que corresponde à instância de observação dos fenômenos linguísticos. Outra distinção é feita para dar ao texto o estatuto de objeto de análise, como subsistema gramatical. Igualmente, a terceira distinção é feita para dar ao texto o estatuto de objeto de análise, mas, nesse caso, como unidade sociocomunicativa globalizadora. Mesmo de forma implícita e não sistemática, essas distinções sugerem a construção de diferentes construtos explicativos a partir da observação da diversidade de fenômenos que compõem a linguagem, assim como a tentativa de articular a diversidade teórica e de temas para cumprir o objetivo de construir um quadro teórico minimamente homogêneo. Essa característica do PGPF revela, portanto, sua herança para os estudos do texto, assim como a existência de perspectivas de desenvolvimento que apontam para a retomada dessas proposições como um empreendimento para a área, de forma especial, no Brasil.

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Biografia do Autor

  • Clemilton Lopes Pinheiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Doutor em Letras, área de Filologia e Linguística Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003). `Professor titular de Linguística, na graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). 

  • Mateus Parducci, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Mestrado em Estudos da Linguagem, área de Estudos em Linguística Teórica e Descritiva (UFRN). Doutorando em Estudos da Linguagem na área de Estudos em Linguística Teórica e Descritiva, na linha de pesquisa de Estudos Linguísticos do Texto, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

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Publicado

06.08.2026

Edição

Seção

Homenagem a Ataliba T. de Castilho

Como Citar

PINHEIRO, Clemilton Lopes; PARDUCCI, Mateus. Distinções de texto no Projeto de Gramática do Português Falado no Brasil. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 20, p. e020033, 2026. DOI: 10.14393/DLv20a2026-33. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/83089. Acesso em: 6 ago. 2026.

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