A leitura-escrita na educação linguística de professoras e professores

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-11

Palavras-chave:

Educação linguística, Letramentos acadêmicos, Leitura-escrita, Licenciatura em Pedagogia, Formação de professoras e professores

Resumo

O artigo analisa as práticas de leitura e escrita acadêmica na formação de professores e professoras no curso de Pedagogia, a partir da perspectiva dos estudos de letramento de base sociocultural. Parte da compreensão de que as práticas sociais de linguagem são situadas e ideologicamente marcadas, e de que a educação linguística de todo sujeito histórico, entendida como desenvolvimento e ampliação do conhecimento linguístico, é contínua, porém envolve processos de ensinar-aprender formas de comportamento linguístico de esferas discursivas específicas, e de como entendemos as esferas acadêmicas. Logo, no percurso formativo professores, circulam tipos relativamente estáveis de enunciado – gêneros do discurso, cujas origens levam em conta as necessidades próprias de um campo em interface com outros campos. Este estudo fundamenta-se em experiências desenvolvidas no Grupo de Estudos e Pesquisa em Leitura e Escrita Acadêmica (GEPLEA) e no Laboratório de Letramentos Acadêmicos (LabLA/UFF), envolvendo ações de ensino, pesquisa e extensão com licenciandos e licenciandas. O documento está estruturado em quatro seções principais: 1) considerações introdutórias; 2) inter-relações entre leitura e escrita na educação linguística no âmbito acadêmico; 3) letramentos acadêmicos na formação inicial de educadores; 4)  questões em aberto.  Frente às pesquisas em curso, são destaque: a dificuldade de inserção dos estudantes nas práticas discursivas acadêmicas, evidenciando barreiras relacionadas à mediação docente e às exigências de uma esfera discursiva ainda pouco acessível a muitos estudantes. Este estudo em construção sublinha a formação docente frente à demanda de reconhecimento das práticas de leitura e escrita como componentes essenciais da práxis pedagógica e como espaço de constituição identitária, ética e epistêmica; frente `a necessidade de ações que possibilitem o desenvolvimento dos letramentos acadêmicos, com atenção às trajetórias de letramento dos estudantes. Em síntese, defendemos diante dos estudos do laboratório Labla a tese segundo a qual os usos sociais da linguagem/ língua em gêneros do discurso são intrínsecos à formação de professoras e professores no curso de Pedagogia e em qualquer outra licenciatura e, portanto, devem ser reconhecidos como cerne da práxis docente.

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Biografia do Autor

  • Danuse Pereira Vieira, Universidade Federal Fluminense

    Doutora em Linguística Aplicada (UFRJ). Professora Adjunta C IV na Faculdade de Educação da UFF - Universidade Federal Fluminense (2025), atualmente é subchefe do departamento SSE-Sociedade, Educação e Conhecimento.

  • Jéssica do Nascimento Rodrigues, Universidade Federal Fluminense

    Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2014), onde também realizou Estágio Pós-doutoral (2017). Na UFF, campus Gragoatá, é professora adjunta da Faculdade de Educação (FEUFF), vinculada ao departamento Sociedade, Educação e Conhecimento (SSE).

  • Dayala Paiva de Medeiros Vargens, Universidade Federal Fluminense

    Doutorado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2012). É professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, atuando especialmente na Prática de Pesquisa e Ensino em Letras Língua Portuguesa e Língua Espanhola.

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Publicado

12.02.2026

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

VIEIRA, Danuse Pereira; RODRIGUES, Jéssica do Nascimento; VARGENS, Dayala Paiva de Medeiros. A leitura-escrita na educação linguística de professoras e professores. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 20, p. e020011, 2026. DOI: 10.14393/DLv20a2026-11. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/78776. Acesso em: 21 fev. 2026.

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