A Iniciação Científica como participação em comunidades de práticas acadêmicas

representações de estudantes sobre suas trajetórias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/DLv19a2025-81

Palavras-chave:

Letramento acadêmico, Identidade, Iniciação Científica

Resumo

Na esfera acadêmica, pertencemos a diversas comunidades de prática organizadas em torno de grupos e projetos de pesquisa, nos quais desempenhamos múltiplos papéis sociais – como os de aluno, parecerista e orientador – que contribuem para a construção de nossas identidades acadêmica e profissional. Este artigo tem como objetivo descrever e analisar representações sociais sobre as trajetórias de letramentos acadêmico-científicos de estudantes de iniciação científica (IC) na área de estudos da linguagem. A pesquisa adota uma abordagem qualitativo-interpretativista e tem como corpus as respostas a um questionário digital, respondido por 12 graduandos ou recém-egressos de cursos de Letras, todos participantes do LILA — Laboratório Integrado de Letramentos Acadêmico-científicos. O trabalho insere-se no escopo da Linguística Aplicada e fundamenta-se na perspectiva sociocultural dos Estudos de Letramento, com ênfase nos trabalhos sobre letramento acadêmico (Lea; Street, 1998), destacando-se os conceitos de comunidades de prática (Lave; Wenger, 1992) e de representações sociais (Jodelet, 1989; Assis, 2016). Os resultados revelam que os estudantes compreendem a iniciação científica como uma oportunidade fundamental para a apropriação da escrita acadêmica e para a constituição de identidades em trânsito — de aprendizes periféricos a participantes mais centrais nas comunidades de prática. Essa trajetória identitária, construída discursivamente, é mediada por fatores como a inserção e a interação nos grupos de pesquisa, o acompanhamento de docentes orientadores/as e o engajamento em práticas de letramento por meio de diversos gêneros textuais próprios da esfera acadêmica, como projetos de pesquisa, resumos para eventos e artigos científicos. A representação das trajetórias individuais analisada evidencia não apenas transformações nos sujeitos em formação, mas também reconfigurações nos grupos sociais aos quais estão inseridos, bem como nas práticas institucionais da universidade. As evidências obtidas contribuem para uma compreensão mais aprofundada do papel da iniciação científica na formação acadêmico-científica, apontando para a necessidade de políticas e práticas que favoreçam uma participação mais significativa e emancipatória dos estudantes na cultura da pesquisa.

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Biografia do Autor

  • Paula Baracat De Grande, Universidade Estadual de Londrina

    Doutora em Linguística Aplicada (UNICAMP). Professora Adjunta do Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas e do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem (PPPGEL) da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

  • Gabriela Martins Mafra, MEC
    Doutoranda em Linguística Aplicada (UNICAMP). Apoio técnico-pedagógico da Coordenação-Geral de Materiais Didáticos (CGMD/MEC). 
  • Vera Lúcia Lopes Cristovão, Universidade Estadual de Londrina

    Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem.  Professora sênior no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem (PPGEL) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq.

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Publicado

28.12.2025

Edição

Seção

Letramentos Acadêmicos: pesquisas e práticas em torno do ensino e da aprendizagem da escrita na escola e na universidade

Como Citar

DE GRANDE, Paula Baracat; MAFRA, Gabriela Martins; CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes. A Iniciação Científica como participação em comunidades de práticas acadêmicas: representações de estudantes sobre suas trajetórias. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 19, p. e019081, 2025. DOI: 10.14393/DLv19a2025-81. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/77953. Acesso em: 8 fev. 2026.