O fenômeno dos pluralia tantum à luz do Estruturalismo e do Funcionalismo
DOI:
https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-43Palavras-chave:
Morfologia, Lexicologia, Normatividade, Estrutura, FunçãoResumo
Os itens lexicais de uma língua flexiva, como o português, pertencem a paradigmas de classes nominais, os quais são interseccionados por paradigmas morfológicos, neste trabalho chamados de manifestações. O número, como o gênero, é uma manifestação, pois se subordina a unidades lexicais, que, por sua vez, se subordinam a classes nominais no interior da instância sígnica do Significado. Chamam-se categorias a paradigmas abstratos, construídos pela união dos paradigmas morfológicos, onde há intersecções. São exemplos de categoria na língua portuguesa: gênero, número, caso, conjugação, tempo-modo, número-pessoa, dêixis e definitude. Apenas dentro de uma tipologia de línguas isolantes, as manifestações se confundem com as categorias. Na expressão dos signos, há manifestações que, apesar de existentes, são consideradas, do ponto de vista normativo, como esteticamente inadequadas, indesejáveis ou mesmo “incorretas”. Também há manifestações inexistentes por razões morfofonológicas. Por fim, há manifestações raras, por razão semântica ou de frequência de uso. Essa diversidade de situações revela um problema de ordem teórica: se há palavras sem uma determinada manifestação em categorias binárias como o número, gerando numa língua flexiva itens lexicais típicos de línguas isolantes, consideradas “sem flexão”, também é possível definir cientificamente o que vem a ser uma “exceção” fora do viés normativo, a saber: um paradigma, cuja cardinalidade é significativamente menor do que a dos demais paradigmas em análise. Haveria, assim, a possibilidade de imaginar paradigmas excepcionais que sejam inclusive conjuntos unitários. A questão normativa, contudo, nos alerta para algo ainda mais profundo e normalmente desprestigiado pelos estudos linguísticos: a questão da existência de um item linguístico. A suposta inexistência de uma manifestação, como ocorre no fenômeno dos pluralia tantum apresentado pela Gramática, na verdade, esconde um problema de frequência de uso numa certa sincronia e também o problema do percurso da compreensão, entendido como contrário ao da expressão, do Mundo às instâncias sígnicas (Referência, Significado e Significante). A disparidade semântica entre singular e plural de uma mesma unidade lexical, contudo, como se pode observar em corpora, está diretamente vinculada à sua frequência de uso e não é uma questão de viés anomalista, como apresentada nas exceções da Gramática, de viés analogista.
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