Entre o caos, a complexidade, os letramentos e as identidades
trajetórias de egressos surdos do curso de Letras Libras da UFPI
DOI:
https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-15Palavras-chave:
Teoria do Caos e da Complexidade, Letramentos acadêmicos, Identidades, Egressos Surdos, Letras LibrasResumo
As trajetórias formativas dos sujeitos surdos são atravessadas por fatores institucionais, sociais, subjetivos e históricos, que influenciam diretamente suas escolhas profissionais após a formação universitária. Este artigo busca analisar, à luz da Teoria do Caos e da Complexidade, as trajetórias acadêmicas e profissionais de egressos surdos do curso de Letras Libras da UFPI, baseado nas relações entre práticas de letramento acadêmico e constituição de identidades surdas. Nesse sentido, fundamentamo-nos na Teoria do Caos e da Complexidade (Morin, 2005; Larsen-Freeman; Cameron, 2008; Gaignoux, 2020), além dos estudos sobre letramentos (Street, 2014; Lea; Street, 2014; Fischer, 2010) e identidades (Resende, 2009; Moura; Alexandre, 2022). Metodologicamente, este estudo analisou as trajetórias individuais de três egressos surdos a partir de suas narrativas, coletadas por meio de entrevistas realizadas de forma online. Os dados foram analisados a partir de cinco operadores analíticos centrais: condições iniciais, atratores, pontos de bifurcação, agentes e coadaptações. Os resultados apontam que os sujeitos não seguem percursos lineares, mas constroem trajetórias marcadas por reorganizações identitárias, disputas por pertencimento e práticas de resistência. A atuação como instrutores de Libras, as mediações linguísticas, a presença de redes de apoio e os vínculos com a comunidade surda emergem como atratores fundamentais que reconfiguram seus projetos de vida. A ausência de políticas institucionais específicas para o público surdo, a precariedade do acesso à Libras em fases iniciais da vida escolar e as limitações na participação em programas acadêmicos complementares, como iniciação científica, são identificadas como fatores que dificultam o desenvolvimento de uma identidade acadêmica e científica. Conclui-se que a universidade, para se constituir como espaço de formação plural e inclusiva, deve operar como sistema aberto à escuta, à coadaptação e à legitimação das diferentes formas de ser e aprender. Os sujeitos surdos aqui analisados não apenas acessam o ensino superior, mas o transformam a partir de suas experiências, redes e práticas de letramentos.
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