Produção de sentidos sobre a revolta chilena em textos literários de alunas de um programa de acesso universitário
DOI:
https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-19Palavras-chave:
Análise do discurso, Gêneros literários, Acesso à educação, Conflito socialResumo
No exercício analítico a seguir, a pergunta principal foi em torno dos sentidos produzidos sobre a revolta chilena de outubro de 2019, em textos literários escritos por alunas de baixa renda que fazem parte de um programa de acesso universitário. Os objetivos específicos foram: primeiro, compreender o contexto educativo de produção dos textos literários. E segundo, compreender o funcionamento interno de cada texto. Na proposta de Bakhtin e o Círculo, o texto só é compreensível em seu contexto dialógico. Assim, esse exercício analítico está frente a um objeto de estudo que não é apenas sujeito, mas também é autor, isto é, sujeito falante, réplica e posição de sentido. Assim sendo, o exercício analítico se trata de um encontro não apenas entre textos e entre diferentes autores, mas, também, entre sujeitos. Na perspectiva bakhtiniana delimitar um corpus é uma atividade interpretativa, já que o corpus é recortado da ininterrupta cadeia comunicativa. Desse modo, para delimitar o objeto de pesquisa relacionado com a produção de sentido nos textos literários, o ponto de partida, ou corpus, foram três crônicas ganhadoras de um concurso literário escolar. Os resultados desse concurso foram publicados em uma rede social, o Instagram de uma instituição universitária, que desenvolve um programa de acesso ao Ensino Superior chileno e do qual participam as autoras. O exercício da análise discursiva dos textos literários foi apoiado na noção de gênero discursivo, com base em dois textos de Bakhtin: “O problema do Conteúdo, do material e da forma na criação literária”, do livro Questões de literatura e de estética; e Os Gêneros de Discurso. A reconstituição do contexto da produção das crônicas breves levou à hipótese de una dialogia dos gêneros discursivos educativos, literário e político. Pelo fato de os textos trazerem diferentes autorias e apresentarem uma dialogia de diferentes campos, se propõe a polifonia como funcionamento discursivo na produção de sentido sobre a revolta.
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