A ética do silêncio, a vagareza e o tempo para pensar nas aulas de ciências
DOI:
https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v39a2025-76660Palabras clave:
Silêncio, Vagareza, Contemporaneidade, VírusResumen
Este artigo resulta de um projeto de tese de doutorado que busca compreender a potência do silêncio e da vagareza em uma turma de sexto ano do ensino fundamental, durante as aulas de Ciências. Entre as análises realizadas, destacam-se a combinação da ética do silêncio com a vagareza nos processos de aprendizagem. O artigo explora como essas dinâmicas se manifestam nas aulas de Ciências, através das fissuras que surgem nos fluxos acelerados e ruidosos da contemporaneidade. Esses momentos agem como um “vírus” nos fluxos, interrompendo as formas de existência que privilegiam respostas rápidas e atalhos no pensamento. O que emerge é um silêncio motivado pelo interesse dos alunos, que abre espaço para a vagareza necessária ao pensamento e desacelera os ritmos frenéticos da vida moderna. O estudo se fundamenta nas teorias de Deleuze (1997), Foucault (2010) e Suely Rolnik (2008), e utiliza a cartografia como metodologia para orientar suas análises.
Palavras-chave: Silêncio; Vagareza; Contemporaneidade; Vírus.
The ethics of silence, vacancy and time to think in science classes
Abstract: This article is the result of a doctoral thesis project that seeks to understand the power of silence and slowness in a sixth-year elementary school class, during Science classes. Among the analyzes carried out, the combination of the ethics of silence and slowness in learning processes stands out. The article explores how these dynamics manifest themselves in Science classes, through the fissures that appear in the accelerated and noisy flows of contemporary times. These moments act like a “virus” in the flows, interrupting forms of existence that favor quick responses and shortcuts in thinking. What emerges is a silence motivated by the students' interest, which makes room for the slowness necessary for thought and slows down the frenetic rhythms of modern life. The study is based on the theories of Deleuze (1997), Foucault (2010) and Suely Rolnik (2008), and uses cartography as a methodology to guide its analyses.
Keywords: Silence; Slowness; Contemporaneity; Virus.
La ética del silencio, la vacancia y el tiempo para pensar en las clases de ciencias
Resumen: Este artículo es el resultado de un proyecto de tesis doctoral que busca comprender el poder del silencio y la lentitud en una clase de sexto año de primaria, durante las clases de Ciencias. Entre los análisis realizados destaca la combinación de la ética del silencio y la lentitud en los procesos de aprendizaje. El artículo explora cómo estas dinámicas se manifiestan en las clases de Ciencias, a través de las fisuras que aparecen en los flujos acelerados y ruidosos de la época contemporánea. Estos momentos actúan como un “virus” en los flujos, interrumpiendo formas de existencia que favorecen respuestas rápidas y atajos en el pensamiento. Lo que emerge es un silencio motivado por el interés de los estudiantes, que deja espacio a la lentitud necesaria para el pensamiento y frena los ritmos frenéticos de la vida moderna. El estudio se basa en las teorías de Deleuze (1997), Foucault (2010) y Suely Rolnik (2008), y utiliza la cartografía como metodología para guiar sus análisis.
Palabras clave: Silencio; Lentitud; Tiempo Contemporáneo; Virus.
Data de registro: 15/01/2025
Data de aceite: 24/09/2025
Descargas
Referencias
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad. Alfredo Bossi. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
BARROS, Laura Pozzana de; KASTRUP, Virginia. Cartografar é acompanhar processos. In: KASTRUP, Virginia; PASSOS, Eduardo; ESCÓSSIA, Liliana (Orgs.). Pistas do Método da Cartografia: Pesquisa- intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Editora Sulina, 2015. p. 52-75.
BOCCHETTI, André. Corpos, silêncios e disciplinas: sobre modos de confinamento e suas educações possíveis. Revista Pro.posições, Campinas, v. 33, p. 1-24, 2022. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1980-6248-2020-0114.
CAETANO, Érica. “O que é hacker?”. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/informatica/o-que-e-hacker.htm. Acesso em: 29 jul. 2024.
COMPANHIA DAS LETRAS. Erling Kagge. Disponível em: https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/05664/erling-kagge. Acesso em: 3 dez. 2023.
COUTO, Mia. Não precisamos de mais tempo, precisamos de um tempo que seja nosso. 2017. Portal Geledés. Acesso em: https://www.geledes.org.br/nao-precisamos-de-mais-tempo-precisamos-de-um-tempo-que-seja-nosso-por-mia-couto. Acesso em: 25 set. 2022.
DELEUZE, Gilles. Crítica e Clínica. Trad. Peter pal Pelbart. São Paulo: Ed. 34, 1997.
DELEUZE, Gilles. Proust e os signos. Trad. Antonio Piquet e Roberto Machado. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.
DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a Filosofia. Trad. Ruth Joffily Dias e Edmundo Fernandes. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976.
DELEUZE, Gilles. Conversações. 1972-1990. Trad. Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1992.
DUARTE, Pedro. O silêncio que resta. In: NOVAES, Adauto (Org.). Mutações o Silêncio e a prosa do mundo. São Paulo: SESC São Paulo, 2014.
DUFOURMANTELLE, Anne. Potências da Suavidade. Trad. Hortencia Lancastre. São Paulo: n-1 edições, 2022.
EIRÓ, Jorge. Narrativas errantes de uma noite de verão quando D. Educação saiu para comprar cigarro. Experimentart, Belém, n. 3, p. 11-21, 2016. DOI: https://doi.org/10.18542/experimentart.v0i3.4600.
FISCHER, Brodwyn Michelle. A ética do silêncio racial no contexto urbano: políticas públicas e desigualdade social no Recife, 1900-1940. Anais do museu paulista, São Paulo, v. 28, p. 1-45, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-02672020v28d1e15. Disponível em: https://www.scielo.br/j/anaismp/a/LxQRQyCSGgMdzhsk9wwMwSt/?lang=pt. Acesso em: 15 set. 2024.
FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981, 1982). Trad. Marcio Alves da Fonseca, Salma Annus Muchail. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
GROS, Frédéric. Caminhar uma filosofia. Trad. Célia Euvaldo. Imagens de Ana Maria Maiolino. São Paulo: Ubu Editora, 2021.
GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: Cartografia dos desejos. Petrópolis: Vozes, 1996.
HARVEY, David. Condição Pós-moderna: Uma Pesquisa sobre a Origem da Mudança Cultural. Trad. Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 2008.
KAGGE, Erling. Silêncio na Era do Ruído. Trad. Guilherme da Silva Braga. Rio de Janeiro: Editora Schwarcz S.A., 2009.
KASTRUP, Virginia. O Funcionamento da Atenção no Trabalho do Cartógrafo. In: KASTRUP, Virginia; PASSOS, Eduardo; ESCÓSSIA, Liliana (Orgs.). Pistas do Método da Cartografia: Pesquisa- intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Editora Sulina, 2015. p. 32-51.
KOHAN,Walter Omar; FERNANDES Rosana Aparecida. Tempos da infância: entre um poeta, um filósofo, um educador. Educ. Pesqui., São Paulo. v. 46, p. 1-26, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-4634202046236273.
LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Trad. João Wanderley Geraldi. Revista Brasileira de Educação, Campinas, n. 19, p. 20-28, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782002000100003.
LARROSA, Jorge. Linguagem e Educação Depois de Babel. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2004.
LARROSA, Jorge. Professor precisa encontrar a beleza no mundo para motivar os alunos. Entrevista concedida a Maria Victória Oliveira. Porvir Inovação em Educação, São Paulo, 2021. Disponível em: https://porvir.org/professor-precisa-encontrar-a-beleza-no-mundo-para-motivar-alunos-diz-filosofo-e-educador-espanhol/. Acesso em: 30 dez. 2024.
MASSCHELEIN, Jan; SIMONS, Maarten. Em defesa da escola: uma questão pública. Trad. Celso Antunes. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2014.
MEDEIROS, Tiago. A ética do silêncio na era Bolsonaro. Revista Cult, São Paulo, 2021. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-etica-do-silencio-na-era-bolsonaro/. Acesso em: 24 set. 2024.
MITNICK, Kevin David; SIMON, William L. A arte de invadir: as verdadeiras histórias por trás das ações de hackers, intrusos e criminosos eletrônicos. Trad. Maria Lúcia G. L. Rosa. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.
MITTMANN, Veronica de Lima. O devir-criança e a possibilidade de outramundar (neste mundo): o animismo infantil. 2024. 196 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências) – Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2024.
ORLANDI, Eni Purccinelli. As Formas do Silêncio: no movimento dos sentidos. Campinas: Editora da Unicamp, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788526814707.
PASSOS, Eduardo, ALVAREZ, Johnny. Cartografia é habitar um território existencial. In: KASTRUP, Virginia; PASSOS, Eduardo; ESCÓSSIA, Liliana (Orgs.). Pistas do Método da Cartografia: Pesquisa- intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Editora Sulina, 2015. p. 131-149.
PELBART, Peter Pál. O Avesso do Niilismo: cartografias do esgotamento. São Paulo: Número 1 edições, 2013.
POZZANA, Laura. A Formação do Cartógrafo é o mundo: corporificação e afetabilidade. In: KASTRUP, Virginia; PASSOS, Eduardo; ESCÓSSIA, Liliana (Orgs.). Pistas do Método da Cartografia: Pesquisa- intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Editora Sulina, 2016. p. 52-75.
PRECIATO, Paul. La izquierda bajo la piel. Um prólogo para Suely Rolnik. In: ROLNIK, Suely. Esferas da Insurreição: Notas para uma vida não cafetinada. São Paulo: N-1 Edições, 2019.
ROLNIK, Suely. Uma insólita viagem à subjetividade fronteiras com a ética e a cultura. Núcleo de Subjetividade, São Paulo: PUCSP, 1997. Disponível em: http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/suely%20rolnik.htm. Acesso em: 23 dez. 2024.
STENGERS, Isabelle. Uma outra ciência é possível: manifesto por uma desaceleração das ciências. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2023.
VINCI, Christian Fernando Ribeiro Guimarães. O conceito de experimentação na filosofia de Gilles Deleuze. Sofia, Vitória, v. 7, n. 2, p. 322-342, 2018. DOI: https://doi.org/10.47456/sofia.v7i2.20467.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Mari Teresinha Alminhana Panni, Claudia Glavam Duarte

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
Declaração de direitos autorais: Os trabalhos publicados são de propriedade dos seus autores, que poderão dispor deles para posteriores publicações, sempre fazendo constar a edição original (título original, Educação e Filosofia, volume, nº, páginas). Todos os artigos desta revista são de inteira responsabilidade de seus autores, não cabendo qualquer responsabilidade legal sobre seu conteúdo à Revista ou à EDUFU.
Declaration of Copyright: The works published are the property of their authors, who may make use of them for later publications, always citing the original publication (original title, Educação e Filosofia, volume, issue, pages). The authors of the articles published are fully responsible for them; the journal and/or EDUFU are exempt from legal responsibility for their content.
Déclaration de droit d’auteur: Les œuvres publiées sont la propriété de leurs auteurs, qui peuvent les avoir pour publication ultérieure, à condition que l'édition originale soit mentionnée (titre de l'original, Educação e Filosofia, volume, nombre, pages). Tous les articles de cette revue relèvent de la seule responsabilité de leurs auteurs et aucune responsabilité légale quant à son contenu n'incombe au périodique ou à l’EDUFU.
