Ensino de filosofia em tempos de barbárie
DOI:
https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v39a2025-77591Palavras-chave:
Ensino de filosofia, Barbárie, CapitalismoResumo
Resumo: Vivemos em tempos de barbárie. Essa marca no contemporâneo apresenta-se como objeto de atenção fundamental para o ensino de filosofia no Ensino Médio, objetivo de análise deste artigo. Para o cumprimento desse objetivo, considerou-se a contribuição do filósofo Marildo Menegat, que toma a barbárie, na sociedade capitalista, como civilização em excesso, consequência de um avanço das forças produtivas com tendência a se tornarem forças de destruição. Para Menegat, tudo aquilo que entendemos como civilização jamais existiu sem o seu oposto: a barbárie. Considera-se ainda as reflexões de Adolfo Sánchez Vázquez, para quem a filosofia nos auxilia a examinar de forma crítica os pressupostos e as crenças que encobrem ou disfarçam a situação do ser humano no mundo, sobretudo diante da ameaça à espécie pelo desenvolvimento tecnológico ou da submissão dessa tecnologia aos interesses do Capital. Este trabalho confirma a intensificação da exploração da classe trabalhadora como expressão da barbárie, que, pelo acúmulo de contradições e por um enfrentamento organizado ao Capital, engendra uma solução revolucionária. A acumulação de contradições, contudo, também engendra incessantes transformações (revolução da produção), próprias da sociedade burguesa, que se apresentam como soluções parciais para alguns dos problemas modernos na forma do velho novo que supostamente superará o atraso. Tal aposta apresenta-se, mais uma vez, como elemento ideológico. Por meio do materialismo histórico-dialético, esse cenário foi analisado a partir das perspectivas dos filósofos citados com vistas à interpretação crítica do mundo contemporâneo, a fim de pensar o papel do ensino de filosofia na produção da crítica em ambiente escolar.
Palavras-chave: Ensino de filosofia; Barbárie; Capitalismo.
Downloads
Referências
ADORNO, Theodor. Palestra sobre lírica e sociedade. In: ADORNO, Theodor. Notas de Literatura I. Tradução de Jorge de Almeida. São Paulo: Duas Cidades/34, 2003.
AGAMBEN, Giorgio. Profanações. Tradução de Selvino J. Assmann. São Paulo: Boitempo, 2007.
AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.
ALVES, Gilberto Luiz. A produção da escola contemporânea. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2001.
ALVES, Gilberto Luiz. O trabalho didático na escola moderna: formas históricas. Campinas: Autores Associados, 2005.
ALVES, Dalton. O ensino de filosofia nos anos de repressão pós-1964. Ensaios Filosóficos, Rio de Janeiro, v. 10, p. 44-63, 2014.
FARACO, Carlos Alberto. Autor e Autoria. In: BRAIT, Beth (Org.). Bakhtin: conceitos-chave. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2005.
FONTES, Virgínia. O Brasil e o capital imperialismo: teoria e história. 2. ed. Rio de Janeiro: EPSJV/Editora UFRJ, 2010.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
FREITAS, Luiz Carlos de. A luta por uma pedagogia do meio: revisitando o conceito. In: PISTRAK, Moisey Mikhaylovich. A escola-comuna. São Paulo: Expressão Popular, 2009, p. 9-101.
LIMA, Adelaide A. A Filosofia da Linguagem em Bakhtin: conceitos principais. Revista Literarius, Santa Maria, v. 20, n. 1, 2021.
MARX, Karl. Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel: introdução. Tradução de Lúcia Ehlers. São Paulo: Expressão Popular, 2010.
MATOS, Olgária. Prólogo. In: KOHAN, Walter Omar; LEAL, Bernardina; RIBEIRO, Álvaro. (Orgs). Filosofia na escola pública. Petrópolis: Vozes, 2000.
MENEGAT, Marildo. Civilização em excesso. Síntese, Belo Horizonte, v. 28, n. 90, pp. 115-34, 2001. DOI: https://doi.org/10.20911/21769389v28n90p115-134/2001
MENEGAT, Marildo. A Face e a Máscara: a barbárie da civilização burguesa. Pegada, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 27-46, 2007. DOI: https://doi.org/10.33026/peg.v8i2.1638
MENEGAT, Marildo. Entrevista: Estamos livres para criar uma nova forma de existência. Radis - Comunicação e saúde, Rio de Janeiro, n. 140, p. 25-27, 2014.
MENEGAT, Marildo. A Crítica do Capitalismo em Tempos de Catástrofe. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.
MINTO, Lalo Watanabe. A educação da miséria: particularidade capitalista e educação superior no Brasil. São Paulo: Outras Expressões, 2014. DOI: https://doi.org/10.9771/gmed.v6i1.11484
PIGLIA, Ricardo. Crítica y Ficción. Barcelona: Anagrama, 1986.
SANTOS, Fabio Luis Barbosa dos. Uma história da onda progressista sul-americana (1998-2016). São Paulo: Elefante, 2018.
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. 32. ed. Campinas: Autores Associados, 1999.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. 7. ed. Campinas: Autores Associados, 2000.
SCHMIED-KOWARZIK, Wolfdietrich. Pedagogia dialética: de Aristóteles a Paulo Freire. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.
SILVEIRA, Renê José Trentin. Ensino de Filosofia de uma perspectiva histórico-problematizadora. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 12, n. 1, p. 139-54, 2011. DOI: https://doi.org/10.36311/2236-5192.2011.v12n1.1544
SILVEIRA, Renê José Trentin . Escola e classe social de uma perspectiva gramsciana: a sala de aula, o intelectual e os simples. ETD – Educação Temática Digital. Campinas, v. 17, n. 3, p. 558-75, 2015. DOI: https://doi.org/10.20396/etd.v17i3.8638307
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia e circunstâncias. Tradução de Luiz Cavalcanti de M. Guerra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia da práxis. 2. ed. Tradução de María Encarnación Moya. Buenos Aires: Clacso: São Paulo: Expressão Popular, 2011.
Data de registro: 28/03/2025
Data de aceite: 25/02/2026
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Guilherme Torres Correa, Daniel Marcolino Claudino de Sousa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Declaração de direitos autorais: Os trabalhos publicados são de propriedade dos seus autores, que poderão dispor deles para posteriores publicações, sempre fazendo constar a edição original (título original, Educação e Filosofia, volume, nº, páginas). Todos os artigos desta revista são de inteira responsabilidade de seus autores, não cabendo qualquer responsabilidade legal sobre seu conteúdo à Revista ou à EDUFU.
Declaration of Copyright: The works published are the property of their authors, who may make use of them for later publications, always citing the original publication (original title, Educação e Filosofia, volume, issue, pages). The authors of the articles published are fully responsible for them; the journal and/or EDUFU are exempt from legal responsibility for their content.
Déclaration de droit d’auteur: Les œuvres publiées sont la propriété de leurs auteurs, qui peuvent les avoir pour publication ultérieure, à condition que l'édition originale soit mentionnée (titre de l'original, Educação e Filosofia, volume, nombre, pages). Tous les articles de cette revue relèvent de la seule responsabilité de leurs auteurs et aucune responsabilité légale quant à son contenu n'incombe au périodique ou à l’EDUFU.
