Interoperabilidade Semântica no Mapeamento Topográfico: Análise Qualitativa de Classes de Uso e Cobertura da Terra Utilizando Análise Textual Discursiva
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Resumo
A crescente demanda por integração de dados geoespaciais no Brasil intensifica os desafios de interoperabilidade entre fontes cartográficas, especialmente para as classes de Uso e Cobertura da Terra (UCT) no mapeamento topográfico nacional. Este estudo investiga como características conceituais e estruturais do modelo topográfico influenciam sua compatibilidade com mapeamentos temáticos oficiais, com ênfase nos produtos do IBGE. Foram realizadas entrevistas técnicas com 12 especialistas, entre analistas de instituições públicas responsáveis pelo mapeamento destas categorias e pesquisadores da área. O corpus foi analisado por meio de Análise Textual Discursiva (ATD), com apoio do IRaMuTeQ, combinando a segmentação do discurso, análises lexicométricas e a síntese interpretativa por dimensões do questionário. A partir dos achados, elaborou-se uma proposta de adaptação do modelo conceitual, representada em OMT-G, visando apoiar a integração entre produtos topográficos e temáticos em escala 1:25.000. Os resultados indicam divergências semânticas, lacunas classificatórias e limitações na representação multiescalar de fenômenos ambientais, com recomendações de ajustes em classes como “Floresta”, “Campinarana”, “Solo Exposto” e “Savana”, além de diretrizes dependentes de escala para ambientes úmidos e feições expostas. Como contribuição, o artigo sistematiza recomendações derivadas de conhecimento técnico institucional e propõe diretrizes de reestruturação conceitual alinhadas à clareza classificatória, à compatibilidade semântica e à usabilidade em contextos digitais. Como desdobramento, recomenda-se validar a proposta por meio de aplicação piloto e testes com usuários e instituições em fluxos de integração de dados.
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