Ciclos de renovação recorrentes na história das concessivas em português

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-45

Palavras-chave:

Gramaticalização, Conexão, Concessividade, Ciclicidade

Resumo

Neste artigo, abordamos aspectos da formação de conectores de concessividade na história do português. O interesse em torno do sistema de concessividade se justifica por tratar-se de uma relação de significado historicamente instável nas línguas, com contínuas renovações de seus meios de expressão. Investigamos processos de gramaticalização que deram origem a conectores concessivos em diferentes fases do português, com atenção particular à semântica da fonte e ao papel da inferenciação contextual. A questão central que norteia o trabalho é a recorrência em português de padrões de formação de conectores concessivos que remontam ao latim e que apontam para a existência de desenvolvimentos cíclicos, de natureza semântico-pragmática. A ciclicidade se revela em padrões evolutivos que se repetem, em diferentes intervalos temporais, em uma ou mais línguas geneticamente relacionadas (Hansen, 2018, 2020). Com base em pressupostos teórico-metodológicos da Gramaticalização (Bybee, 2010, 2015; Narrog; Heine, 2021), em estudos sobre gramaticalização de concessivas em latim (Martín Puente, 1998; Spevak, 2005), e em corpora diacrônicos do português, o propósito específico deste trabalho é descrever processos de mudança que, tomados conjuntamente, parecem se conformar a ciclos onomasiológicos, que perpassam as histórias do latim e do português. Dois ciclos semântico-pragmáticos estarão em discussão: um fundado no assentimento, em que analisamos em perspectiva semasiológica os processos de evolução de licet, do latim tardio, e de (se) bem que e embora, do português clássico e moderno, e o outro é fundado na escalaridade, em que analisamos também em perspectiva semasiológica os processos de evolução de etiam si, do latim clássico, e mesmo se, do português moderno. Para ambos os ciclos, os resultados indicam que fontes semânticas similares, mas etimologicamente distintas, aliadas a traços contextuais específicos, favoreceram inferências de tipos similares que, por sua vez, habilitaram a interpretação concessiva e, posteriormente, se convencionalizaram em nuances variáveis de concessividade.

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Biografia do Autor

  • Sanderléia Roberta Longhin, Universidade Estadual Paulista (Unesp)

    Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Professora assistente doutora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Campus de São José do Rio Preto.

  • Camila Neres da Cruz, Universidade Estadual Paulista (Unesp)

    Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos do IBILCE/UNESP. 

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Publicado

20.10.2026

Edição

Seção

Homenagem a Ataliba T. de Castilho

Como Citar

LONGHIN, Sanderléia Roberta; CRUZ, Camila Neres da. Ciclos de renovação recorrentes na história das concessivas em português. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 20, p. e020045, 2026. DOI: 10.14393/DLv20a2026-45. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/83278. Acesso em: 31 out. 2026.