Antifeminismo, separação e rejeição no discurso político
DOI:
https://doi.org/10.14393/DLv20a2026-10Palavras-chave:
Antifeminismo, Separação, Rejeição, Reconhecimento, CampagnoloResumo
O cenário político – em nível nacional e internacional – é marcado pela polarização, fazendo com que emerjam discursos antagônicos. Com isso, surgem disputas em torno do modo correto de ser, agir e estar no mundo. As mulheres são, nessa conjuntura, envolvidas por discursos que visam enquadrá-las num padrão conservador ou progressista. Assim, são reproduzidas no discurso político, práticas de silenciamento direcionadas a determinadas formas de subjetivação em detrimento de outras. Partindo de tal contexto e dos princípios teórico-metodológicos dos Estudos Discursivos Foucaultianos, neste artigo, investigamos o modo como se estabelece um embate discursivo entre mulheres, separando e rejeitando certas formas de subjetivação, por meio do discurso antifeminista no cenário político. Para tanto, selecionamos um vídeo publicado em outubro de 2024 por Ana Caroline Campagnolo, deputada estadual vinculada ao Partido Liberal (PL-SC) que produz regularmente conteúdo de teor conservador e antifeminista em seu perfil no Instagram. Na publicação em questão, a catarinense reage a uma carta que tem como remetente um grupo feminista, cujo intuito era demonstrar apoio a influenciadora Cíntia Chagas, após ser vítima de violência doméstica. Para a análise arqueogenealógica, realizamos recortes do vídeo e selecionamos os enunciados, que dialogam com outras materialidades do campo associado (Foucault, 2020). Os resultados apontam a reprodução das práticas de silenciamento feminino por meio das próprias mulheres, que advogam em favor de um modo de subjetivação cuja base é conservadora e alicerçada em discursos sexistas. Sua manutenção é regida por princípios antifeministas, que separam congêneres entre si e rejeitam certas formas que não se enquadram numa determinada vontade de verdade (Foucault, 2014). Esse processo, por sua vez, faz com que certas mulheres não sejam reconhecidas (Butler, 2015) como tal, tendo suas vidas apreendidas como indignas e até mesmo malignas. Dessa forma, o discurso da rivalidade feminina, construído ao longo dos séculos com algo natural, é reproduzido e fortalecido.
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