Sobre a preservação de expoentes morfológicos na fonologia variável do português brasileiro

Autores

  • Luiz Carlos da Silva Schwindt Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

DOI:

https://doi.org/10.14393/DL22-v10n2a2016-2

Palavras-chave:

Consistência de Exponência, Desnasalização, Apagamento de r, Teoria da Otimidade

Resumo

A partir do pressuposto de que processos fonológicos variáveis podem acessar informações morfológicas, defendemos, neste texto, que expoentes de morfemas monossegmentais são mais protegidos contra apagamentos do que porções fonológicas distribuídas em unidades morfológicas maiores. Dois fenômenos variáveis bastante debatidos em português brasileiro são analisados como evidências: a desnasalização de ditongos finais átonos (ex. homem ~ homi; pedem ~ pedi) e o apagamento de r em coda final tônica (ex. amor ~ amo∅; amar ~ ama∅). Propomos a formalização desses fenômenos na perspectiva da Teoria da Otimidade, numa abordagem em que restrições de natureza morfológica interagem com restrições fonológicas, a fim de assegurar consistência de exponência.

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Biografia do Autor

Luiz Carlos da Silva Schwindt, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Professor do Depto. de Linguística, Filologia e Teoria Literária da UFRGS; pesquisador do CNPq.

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Publicado

27.06.2016

Como Citar

SCHWINDT, L. C. da S. Sobre a preservação de expoentes morfológicos na fonologia variável do português brasileiro. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 10, n. 2, p. 449–465, 2016. DOI: 10.14393/DL22-v10n2a2016-2. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/32085. Acesso em: 10 dez. 2022.