O BELO ANTRO E A GRANDE OLIVEIRA: RECEPÇÕES DA ALEGORIA DA CAVERNA NA TRADIÇÃO NEOPLATÔNICA

Autores

  • Gabriele Cornelli Universidade de Brasília (UnB)

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v26n51a2012-p93a112

Palavras-chave:

Platão, Porfírio, Antro das Ninfas, Caverna, Neoplatonismo.

Resumo

Desde a Magna Grécia de Pitágoras, Empédocles e Parmênides, passando pelas relações "perigosas" entre a sabedoria nascente e as tradições órfico-dionisíacas, em nítida continuidade com a mitologia arcaica e as narrativas teogônicas, dialogando com as práticas médicas asclepíades, a filosofia antiga visita cavernas. A caverna da República, uma das mais poderosas e fecundas alegorias do pensamento ocidental, é simultaneamente herdeira e ponto de fuga da longa trajetória dessa metáfora. Não se pretende aqui, no entanto, compreender a imagem platônica como a consumação de uma velha tradição filosófica que "pensa em cavernas"; procura-se, antes, iluminar essa alegoria com a interpretação oferecida pela filosofia acadêmica posterior. No Antro das Ninfas, Porfírio parte de 11 versos de Homero (Od. XIII, 102-112) para habilmente desenhar uma exegese inspirada na teoria platônica da alma. A lectio porfiriana permite sugerir que a imagem da caverna revela algo mais que uma simples alegoria literária. Ela dá prova da existência de relações dialógicas e circulares entre a filosofia platônica e o imaginário religioso popular do mundo antigo.

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Data de registro: 22/06/2010

Data de aceite: 16/02/2011

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Biografia do Autor

Gabriele Cornelli, Universidade de Brasília (UnB)

Professora de Filosofia Antiga (Adjunto II) do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília (UnB). Pós-doutorada em Filosofia Antiga pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e pela Università degli Studi di Napoli, Federico II (Itália), é Orientador nos Programas de Mestrado em Filosofia e de Mestrado e Doutorado em Bioética da UnB, Editor das revistas Archai (www.archai.unb.br/revista) e REFHA (www.antiguidade.org) e membro do Conselho Editorial da Sociedade Brasileira de Estudos Classicos (SBEC). Coordena o Grupo Archai: as origens do pensamento ocidental (www.archai.unb.br), o GT-Platão e Platonismo da ANPOF.

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Publicado

2012-07-18

Como Citar

Cornelli, G. (2012). O BELO ANTRO E A GRANDE OLIVEIRA: RECEPÇÕES DA ALEGORIA DA CAVERNA NA TRADIÇÃO NEOPLATÔNICA. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA, 26(51), 93–112. https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v26n51a2012-p93a112