Gestos glotopolíticos para a (re)construção de uma norma-padrão brasileira
uma análise da Gramática do Português Brasileiro escrito (2023)
DOI:
https://doi.org/10.14393/LL63-v42-2026-16Palavras-chave:
Gramaticografia, Glotopolítica, Norma-padrão, Português brasileiro, Colocação pronominalResumo
Este artigo analisa os movimentos normativos adotados na
Gramática do português brasileiro escrito(2023), elaborada pelos linguistas Francisco Eduardo Vieira e Carlos Alberto Faraco. Partindo de uma perspectiva glotopolítica (cf. Arnoux, 2016), o estudo busca comparar a abordagem normativa adotada pela gramática no trato da colocação pronominal com a abordagem apresentada em quatro gramáticas tradicionais brasileiras: Almeida (2009), Bechara (2019), Cegalla (2008) e Rocha Lima (2011). Baseada nos quatro princípios gerais da colocação pronominal do português brasileiro apresentados em Vieira e Faraco (2023), a análise aponta para deslocamentos em relação à tradição gramatical, tais como o estabelecimento da próclise como regra geral do português brasileiro e a não recomendação da mesóclise. Além disso, enquanto as obras tradicionais tendem a priorizar exemplos criados pelo próprio gramático ou extraídos do cânone literário, a obra analisada adota em seu exemplário a escrita acadêmica e jornalística contemporânea, o que reforça o compromisso glotopolítico de (re)construção da norma-padrão brasileira.
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