Estrutura e variação linguística na comunicação digital

fundamentos, características e o português brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/DLv17a2023-17

Palavras-chave:

Comunicação digital, Estrutura linguística, Variação linguística, Prática discursiva

Resumo

Neste artigo, verifica-se como a literatura científica tem descrito a comunicação digital a partir das estruturas linguísticas que lhe são típicas. Aprofunda-se a reflexão sobre as interações online, distinguindo-as da fala e da escrita convencionais. Por fim, identificam-se alguns avanços científicos sobre o assunto desenvolvidos no Brasil a partir da língua portuguesa, além de pontos que requerem maior atenção. Para isso, desenvolve-se uma revisão crítica de literatura e se comenta sobre diferentes investigações realizadas sobre a comunicação na Web. Acredita-se, pois, ser necessário tratar as interações digitais como uma modalidade distinta da fala e da escrita convencionais, visto que, apesar de apresentarem traços comuns com uma ou outra modalidade, também contêm características que lhes são particulares. Defende-se também que as estruturas linguísticas sejam consideradas componentes essenciais na caracterização das instâncias comunicativas, desde aspectos grafemáticos até questões da sintaxe, reconhecendo a centralidade da variação linguística para a compreensão da prática discursiva. Finalmente, reconhece-se que no Brasil encontram-se trabalhos que partem de diferentes graus de entendimento da natureza dos textos digitais, mas parecem predominar aqueles que buscam descrever a comunicação na Web como mais próxima da fala ou da escrita convencional, ao contrário das recomendações de muitas pesquisas sobre as interações online.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andrei Ferreira de Carvalhaes Pinheiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestre em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aluno do Doutorado em Linguística pela mesma instituição.

Referências

ALMEIDA, F. Concept and dimensions of Web 4.0. International journal of computers and technology, v. 16, n. 7, p. 7040-7046, 2017. Disponível em : https://rajpub.com/index.php/ijct/article/view/6446. Acesso em: 02 mar. 2023. DOI https://doi.org/10.24297/ijct.v16i7.6446

ANDROUTSOPOULOS, J. Language change and digital media: a review of conceptions and evidence. In: COUPLAND, N.; KRISTIANSEN, T. (ed.). Standard languages and language standards in a changing Europe. Oslo: Novus Press, 2011. p. 145-159. Disponível em: https://jannisandroutsopoulos.files.wordpress.com/. Acesso em: 06 jan. 2023.

ARAÚJO, J. Reelaborações de gêneros em redes sociais. In: ARAÚJO, J.; LEFFA, V. (org.). Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender? 1ª ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2016. p. 49-64.

BARON, N. Enunciados segmentados em MIs. Tradução de Tania G. Shepherd. In: SHEPHERD, T. G.; SALIÉS, T. G. (org.). Linguística da internet. São Paulo: Contexto, 2013. p. 125-155.

BARON, N. S. Language of the internet. In: FARGHALI, A. (org.). The Stanford handbook for language engineers. Sanford, CA: CSLI Publications, 2003. p. 1-63.

BARON, N. S.; LING, R. IM and SMS: a linguistic comparison. Fourth International Conference of the Association of Internet Researchers, Toronto, October 16-19, 2003.

BERGER, N. I.; COCH, D. Do u txt? Event-related potentials to semantic anomalies in standard and texted English. Brain & Language, v. 113, p. 135-148, 2010. DOI https://doi.org/10.1016/j.bandl.2010.02.002

DĄBROWSKA, M. Language economy in short text messages. Studia Linguistica Universitatis Iagellonicae Cracoviensis, v. 128, p. 7-21, 2011. Disponível em: https://www.researchgate.net/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.2478/v10148-011-0012-6

ECKERT, P. Three waves of variation study: the emergence of meaning in the study of sociolinguistic variation. Annual Review of Anthropology, v. 41, p. 87-100, 2012. Disponível em: https://www.annualreviews.org/. Acesso em 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1146/annurev-anthro-092611-145828

FARACO, C. A.; ZILLES, A. M. Para conhecer norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017.

FIORIN, J. L. A internet vai acabar com a língua portuguesa? Texto livre, v. 1, p. 2-9, 2008. Disponível em: https://www.researchgate.net/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.17851/1983-3652.1.1.2-9

GOMES, L. F. Redes sociais e escola: o que temos de aprender? In: ARAÚJO, J.; LEFFA, V. (org.). Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender? 1ª ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2016. p. 81-92.

HERRING, S. C. Grammar and electronic communication. In: CHAPELLE, C. (ed.), Encyclopedia of Applied Linguistics. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2012. p. 2338–2346. Disponível em: https://ella.sice.indiana.edu/~herring/e-grammar.pdf. Acesso em: 08 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1002/9781405198431.wbeal0466

HERRING, S. C. Computer-mediated discourse. In: SCHIFFRIN, D.; TANNEN, D.; HAMILTON, H. E. (org.). The Handbook of Discourse Analysis. Massachusetts: Blackwell Publishers, 2001. p. 612-634. DOI https://doi.org/10.1002/9780470753460.ch32

HERRING, S. C.; ANDROUTSOPOULOS, J. Computer-mediated discourse 2.0. In: TANNEN, D.; HAMILTON, H. E.; SCHIFFRIN, D. (org.). The Handbook of Discourse Analysis, 2. ed. Chichester: John Wiley & Sons, 2015. p. 127-151. Disponível em:

http://info.ils.indiana.edu/~herring/herring.androutsopoulos.2015.pdf. Acesso em: 08 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1002/9781118584194.ch6

KIESLING, S. F. Constructing Identity. In: CHAMBERS, J. K.; SCHILLING, N. The Handbook of Language Variation and Change. Malden, MA: Wiley-Blackwell, 2ª ed., 2013. p. 448-467. DOI https://doi.org/10.1002/9781118335598.ch21

LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Tradução de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre e Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

LÉ, J. B. Referenciação em tweets jornalísticos. In: PAIVA, M. C; SANTOS, L. C.; PINHEIRO, A. F. C. (org.). Sintaxe, língua em uso e análise de gêneros: uma homenagem a Vera Lúcia Paredes Silva e a sua contribuição à Linguística. São Paulo: Blucher, 2021. p. 193-220. Disponível em: https://www.blucher.com.br/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.5151/9786555501650-08

MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. (org.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2010. p. 15-80.

MURRAY, D. E. Protean communication: The language of computer-mediated communication. TESOL Quarterly, v. 34, n. 3, p. 397-421, 2000. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/3587737. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.2307/3587737

OTHERO, G. A.; CYRINO, S.; SCHABBACH, G.; MADRID, L.; ROSITO, R. Objeto nulo e pronome pleno na retomada anafórica em PB: uma análise em corpora escritos com características de fala. Revista da Anpoll, Florianópolis, v. 1, n. 45, mai./ago., p. 68-89, 2018. Disponível em: https://revistadaanpoll.emnuvens.com.br/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.18309/anp.v1i45.1113

PAREDES SILVA, V. L.; PINHEIRO, A. F. C. A escrita na web e variação linguística: sujeito, objeto direto, blogs e WhatsApp. In: DIAS, N. B.; ABRAÇADO, J. (org.). Estudos sobre o português em uso. Uberlândia: Pangeia, 2020. p. 214-223. Disponível em: https://editorapangeia.com.br/. Acesso em: 06 jan. 2023.

PINHEIRO, A. F. C. Das cartas aos chats: a variação do objeto direto de 3ª pessoa e a escrita informal no papel e na web. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2021a. DOI https://doi.org/10.5151/9786555501650-10

PINHEIRO, A. F. C. Objeto direto de 3ª pessoa na caracterização do Facebook Messenger: contribuições da sociolinguística para a análise do gênero chat. In: PAIVA, M. C.; SANTOS, L. C.; PINHEIRO, A. F. C. (org.). Sintaxe, língua em uso e análise de gêneros: uma homenagem a Vera Lúcia Paredes Silva e a sua contribuição à Linguística. São Paulo: Blucher, 2021b. p. 251-280. Disponível em: https://www.blucher.com.br/. Acesso em: 06 jan. 2023.

PINHEIRO, A. F. C. A variação do objeto direto de 3ª pessoa em uma escrita próxima à fala: conversas de WhatsApp. Anais do X Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística: pesquisa linguística e compromisso político, 2017. p. 154-165. Disponível em: https://www.abralin.org/. Acesso em: 06 jan. 2023.

RAFI, M. S. Meaning Making Through Minimal Linguistic Forms in Computer-Mediated Communication. SAGE Open, v. 4, p. 1-12, 2014. Disponível em: https://journals.sagepub.com/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1177/2158244014535939

SALVADOR, A. M.; BARROS, A. L. E. C. Um estudo sobre variação linguística no WhatsApp. Web-Revista SOCIODIALETO, v. 10, n. 29, p. 46-65, 2019. Disponível em: http://sociodialeto.com.br/. Acesso em: 06 jan.2023.

SANTOS, L. C. Do impresso ao digital: a correlação entre sintagmas nominais complexos e o gênero notícia política. In: PAIVA, M. C.; SANTOS, L. C.; PINHEIRO, A. F. C. (org.). Sintaxe, língua em uso e análise de gêneros: uma homenagem a Vera Lúcia Paredes Silva e a sua contribuição à Linguística. São Paulo: Blucher, 2021. p. 137-157. Disponível em: https://www.blucher.com.br/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.5151/9786555501650-06

SQUIRES, L. Introduction: Variation, representation, and change in English in CMC. In: SQUIRES, L. (ed.). English in Computer-Mediated Communication: Variation, Representation, and Change. Berlin, Boston: De Gruyter Mouton, 2016. p. 1-14. DOI https://doi.org/10.1515/9783110490817-002

TAGLIAMONTE, S. A.; USCHER, D.; KWOK, L.; et al. So sick or so cool? The language of youth on the internet. Language in Society, v. 45, p. 1-32, 2015. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/language-in-society/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1017/S0047404515000780

VAN COMPERNOLLE, R. A. Nous versus on: Pronouns with first-person plural reference in synchronous French chat. Canadian Journal of Applied Linguistics, v. 11, n. 2, p. 85-110, 2008. Disponível em: https://journals.lib.unb.ca/. Acesso em: 06 jan. 2023.

VIEIRA, D. D.; BRITO, L. T. A. Variação linguística no WhatsApp: um estudo de caso. Revista Educação e Linguagens, v. 9, n. 18, p. 403-414, 2020. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.33871/22386084.2020.9.18.403-414

WEIR, A. Left edge deletion in English and subject omission in diaries. English Language and Linguistics, v. 16, n. 1, p. 105–29, 2012. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/english-language-and-linguistics/. Acesso em: 06 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1017/S136067431100030X

WEIR, A. Object drop and article drop in reduced written register. Linguistic Variation, v. 17, n. 2, p. 157-185, 2017. Disponível em: https://awweir.com/research/. Acesso em: 08 jan. 2023. DOI https://doi.org/10.1075/lv.14016.wei

Downloads

Publicado

17.03.2023

Como Citar

PINHEIRO, A. F. de C. Estrutura e variação linguística na comunicação digital: fundamentos, características e o português brasileiro. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 17, p. e1717, 2023. DOI: 10.14393/DLv17a2023-17. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/67933. Acesso em: 13 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos - Revisão de Literatura