Meia hora de Amizade Luso-Brasileira: visita do professor Agostinho da Silva a Macau

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DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v39a2025-81754

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TextoInédito, InéditoAgostinhoDaSilva, EntrevistaAgostinhoDaSilva, AgostinhoDaSilva

Abstract

Entrevista inédita de Agostinho da Silva. Pesquisa e transcrição de Bruno de Alves Borges

 

Apresentação de Bruno Alves Borges

Corria o ano de 1963 quando George Agostinho Baptista da Silva pisou os pés na cidade chinesa de Macau, topos de um contato que talvez nos informe hoje muito mais do que ontem acerca dos conflitos e potências humanas. A cultura portuguesa veio ocupando aquelas terras desde séculos atrás. E que monumental inversão histórica pensar o que foram outrora Portugal e China na sensível orquestra das nações, e o que se tornaram estes hoje tão distintos personagens do mapa global. Mapa que, venhamos e convenhamos, se o mundo tem é porque o português soube muito bem desenhar. O fato é que ali, entre as crônicas dos feitos acontecidos no mundo colonial, em outro momento histórico fundamental para compreensão da Modernidade, Ocidente e Oriente se encontram. A violência do famigerado sistema capitalista nascente nos legou, não há como negar, um problema por pensar, um projeto de existência em contato e em confronto, uma demanda a ser cumprida por nós e pelos que hão de vir.

Reencontrar uma lição dada por Agostinho da Silva em Macau nos aproxima não apenas desse tempo tão definidor que ainda é para nós a segunda metade do século XX, mas abre algumas janelas para pensar aspectos fundantes de seu pensamento e de sua articulação enquanto intelectual fundador que era. Agostinho é já, neste momento, morador da nova capital brasileira desde a fundação de sua Universidade, a revolucionária Universidade de Brasília (UnB). Em poucos anos a casa que o acolheu seria tida como ninho subversivo do pior pelas forças da ditadura, e veria seus estudantes e projeto ameaçados de navio-prisão na costa da Guanabara. É na dimensão de professor desta específica universidade que acreditamos ser relevante entender a conjuntura da presença de Agostinho em Macau. O filólogo e pensador já havia fundado várias outras instituições de ensino superior no Brasil e, em 1963, mantinha os mais plurais vínculos, projetos e pesquisas ao redor do mundo. Neste momento um outro centro de documentação está sendo gestado no Recôncavo Baiano[1]. Com a UnB (e disso sabia Agostinho da Silva) a história do ensino superior latino-americano passava a outras dimensões. Ouve-se assim um professor que fala da UnB, do lugar de professor da UnB e pela UnB. Isso, se por um lado nos informa sobre a UnB desse tempo e da ousadia em teorias e práticas que a nova universidade esboçava efetivar, por outro, apresenta um Agostinho da Silva desbravador, mais uma vez capilar, margeando o mundo inteiro de centros. 

 

[1] Manuscritos sobre o tema estão presentes ainda hoje, na seção de obras raras da UnB.

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Biografie autore

  • Agostinho da Silva, Faculdade de Letras do Porto (FLUP)

    Doutor em Filologia Clássica Filologia Clássica pela Faculdade de Letras do Porto (FLUP). Foi professor nas universidades federais do Rio de Janeiro, Paraíba e Santa Catarina.

    O professor Agostinho da Silva é autor de mais de duzentas publicações, entre as quais podem mencionar os “Cadernos de Informação Cultural”, uma série de biografias, os estudos de filologia, filosofia e história e colaborador de revistas e jornais portugueses, brasileiros e franceses. 

    Diretor de Cultura do Estado de Santa Catarina; diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade da Bahia; diretor do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses da Universidade de Brasília; fundador do Centro de Estudos Filológicos de Lisboa, no Instituto de Alta Cultura e de Santa Catarina; do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Goiás; do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Assessor da Divisão de Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura; fellow da UNESCO para o estudo da organização das universidades japonesas.

  • Bruno de Alves Borges, Educação Básica do Distrito Federal (SEDF)

    Dottorando in Metafisica presso l'Universidade de Brasília (UnB). Insegnante nel Educação Básica do Distrito Federal (SEDF). E-mail: b.alvesborges@gmail.com. Lattes: https://lattes.cnpq.br/1472471914119889. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2333-3644.

Riferimenti bibliografici

BORGES, Bruno. Deus me livros! A bibliofilia na história da UnB. Brasília: Editora UnB, 2021.

BORGES, Bruno. Eudoro de Sousa e sua biblioteca: dispersão e fragmentos de um pensamento. 2015. 273 f. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Programa de Pós-graduação em Literatura do Instituto de Letras de Universidade de Brasília, Brasília, 2015.

SOUSA, Eudoro de. Filosofia Grega. Brasília: Editora UnB, 2013.

Pubblicato

2026-09-25

Fascicolo

Sezione

Agostinho da Silva: um Pensador da Cultura

Come citare

SILVA, Agostinho da; BORGES, Bruno de Alves. Meia hora de Amizade Luso-Brasileira: visita do professor Agostinho da Silva a Macau. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 39, p. 1–21, 2026. DOI: 10.14393/REVEDFIL.v39a2025-81754. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/81754. Acesso em: 26 sep. 2026.