A moldura megárica do Teeteto, de Platão

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v38a2024-70321

Palavras-chave:

Conhecimento, Educação, Escrita, Ética, Euclides de Mégara

Resumo

O diálogo Teeteto sempre ocupou lugar de destaque, compreendido geralmente como pertencente à fase mais madura de Platão. Uma inquietação, quase nunca analisada a fundo, está na conversa entre Euclides de Mégara e seu companheiro Térpsion que abre o Teeteto, caracterizando-o como um escrito pertencente ao filósofo megárico, cuja tradição de ensino era denunciada por sua dialética erística. Por que então Euclides, autor do Teeteto? Nossa hipótese pretende, em vista da filosofia formulada pelo socrático de Mégara, demonstrar que Platão procurou reproduzir em proveito próprio o método euclidiano, orientado por uma escrita que põe ao centro a questão da fixidez almejada pela epistéme como uma questão de discurso, apenas resolvida no âmbito das ações. As refutações das opiniões de Teeteto se tornam a demonstração negativa da impossibilidade de o lógos fixar aquilo que procede do acontecimento educativo da verdade, positivamente indicado pela arte da maiêutica e pelo modelo divino descrito na digressão. Sob essa perspectiva, o louvor à memória de Teeteto, que abre o texto platônico, aparecerá como uma homenagem a Sócrates, através da moldura do texto megárico que nos situa diante do valor inescapável do discurso dialógico como instrumento educativo.

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Data de registro: 01/08/2023

Data de aceite: 31/07/2024

Publicado

2024-12-05

Edição

Seção

Dossiê Marcelo Marques

Como Citar

ALENCAR, Cesar Augusto Mathias de. A moldura megárica do Teeteto, de Platão. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 38, p. 1–37, 2024. DOI: 10.14393/REVEDFIL.v38a2024-70321. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/70321. Acesso em: 30 out. 2026.