Agostinho da Silva, Lina Bo Bardi e o Brasil

Auteurs-es

  • Roberto Pinho Palestrante apresentador no Colóquio Internacional “Agostinho da Silva: Filosofia, milenarismos e utopismos luso-afro-brasileiros”

DOI :

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v40a2026-81104

Mots-clés :

Agostinho da Silva, Brasilidade , Lina Bo Bardi, Depoimento, Roberto Pinho

Résumé

Roberto Costa Pinho nasceu em Salvador, Bahia, em abril de 1937. Conheceu o Professor Agostinho da Silva e Dona Lina Bo Bardi no final dos anos 1950 e início dos anos 1960 no extraordinário ambiente cultural do período da gestão do Reitor Edgard Santos, na Universidade da Bahia (depois, Universidade Federal da Bahia – UFBA). Iniciou sua colaboração com o professor Agostinho no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), da mesma universidade, entre 1960 e 1961. Durante esses anos, embora prioritariamente envolvido com o professor Agostinho, acompanhou de perto, junto com Vivaldo da Costa Lima, Glauber Rocha e outros, as realizações de Dona Lina, particularmente, a implantação do Museu de Arte Popular do Nordeste, no Unhão. Desde então, foi possível compreender as semelhanças profundas, embora por caminhos diversos, entre as visões convergentes sobre o Brasil, de Agostinho e Lina. Em 1962, convidado pelo professor Agostinho, foi seu assistente no Centro Brasileiro de Estudos Portugueses (CBEP), da Universidade de Brasília (UnB), a partir do qual coordenou e implantou vários projetos, sempre voltados para o aprofundamento da compreensão da Cultura Brasileira, como a seguir: (1962 a 1964) Sistema dos Centros de Documentação Histórica do Brasil, o qual veio a se constituir, posteriormente, no Projeto Resgate do Ministério da Cultura; (1965 a 1972) Centro de Estudos do Recôncavo Baiano – Casa Reitor Edgard Santos e Casa Paulo Dias Adorno, nas Cidades de São Felix e Cachoeira, no Recôncavo Baiano; (1965 a 1971) Museu do Atlântico Sul, no Forte de São Marcelo, em Salvador. Do conjunto desse trabalho, resultou, em parceria com a Fundação Pelourinho, dirigida por Vivaldo da Costa Lima, o restauro de grande parte da Cidade de Cachoeira, a criação do Museu das Alfaias e a concessão à Cachoeira do título de Patrimônio Cultural Nacional. Em 1979, na condição de chefe da Casa Civil da Prefeitura Municipal de Salvador, sob o gestão do prefeito Mário Kertész, articulou o retorno de Dona Lina Bardi para Salvador, o que só veio a ocorrer em 1986, sob a gestão do mesmo Mário, então prefeito livre e democraticamente eleito, na qual ocupou a função de secretário extraordinário de Projetos Especiais. Essa foi a gestão à qual se deve a criação de vários projetos, a começar pela restauração do Centro Histórico de Salvador, conduzida por Dona Lina Bardi, com a participação do também arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, dos quais fazem parte o projeto modelo da Ladeira da Misericórdia, a Casa do Benin, a sede do Olodum, o Espaço Glauber Rocha. Todos esses, e outros, como a Fábrica de Cidades (FAEC), a Fundação Pierre Verger, iniciativa de Arlete Soares, a Fundação Gregório de Mattos, correlacionados entre si ao pensamento central que situa Salvador e sua história como cidade primordial insubstituível para a compreensão da construção do Brasil. Em 1969, em Portugal, durante alguns meses, articulou o retorno do professor Agostinho da Silva ao seu país de origem. Entre 1990 e 2000, foi presidente da Fundação Quadrilátero do Descobrimento, a partir da qual criou o Museu Aberto do Descobrimento, destacado projeto nas comemorações dos 500 anos do Brasil, oficializado por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ainda nesse período, concebeu o Museu da Língua Portuguesa, que veio a ser desenvolvido e implantado, com a colaboração de Antônio Risério, a partir do Ministério da Cultura, em 2003, quando ocupou a função de assessor especial do ministro da cultura e, em seguida, a de secretário de projetos do Ministério da Cultura (Minc), ocasião em que articulou a criação da Cátedra Agostinho da Silva na Universidade de Brasília.

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Biographie de l'auteur-e

  • Roberto Pinho, Palestrante apresentador no Colóquio Internacional “Agostinho da Silva: Filosofia, milenarismos e utopismos luso-afro-brasileiros”

    Palestrante apresentador no Colóquio Internacional “Agostinho da Silva: Filosofia, milenarismos e utopismos luso-afro-brasileiros”, organizado pela Cátedra Agostinho da Silva de Estudos Humanísticos da Universidade Federal de Uberlândia, em parceria com o Instituto Camões, e com sessões decorridas nos meses de agosto, setembro e outubro de 2021. O texto original da palestra foi inteiramente revisto para a presente publicação.

Références

Depoimento concedido ao professor Amon Pinho para publicação no dossiê Agostinho da Silva: pensador da cutura.

BORGES, Paulo; ALMEIDA, Edmar; FERRAZ, Marcelo. Agostinho da Silva e Lina Bo Bardi: experiências de Brasil. Testemunhos, inter-relações. In: COLÓQUIO INTERNACIONAL AGOSTINHO DA SILVA “FILOSOFIA, MILENARISMOS E UTOPISMOS LUSO-AFRO-BRASILEIROS”, 1., 2021, Uberlândia. Anais [...]. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia, 2021.

Data de registro: 23/01/2026

Data de aceite: 25/02/2026

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Publié

2026-09-30

Numéro

Rubrique

Dossiê Agostinho da Silva: Pensador da Cultura

Comment citer

PINHO, Roberto. Agostinho da Silva, Lina Bo Bardi e o Brasil. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 39, p. 1–12, 2026. DOI: 10.14393/REVEDFIL.v40a2026-81104. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/81104. Acesso em: 2 oct. 2026.