A relação entre o ensino de Filosofia e os problemas do chão da escola como forma de descolonização

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v38a2024-74645

Palavras-chave:

Descolonização, Ensino de Filosofia, Problemas Filosóficos, Território

Resumo

Ainda que predomine uma visão tecnicista e antifilosófica do ensino de Filosofia no Brasil, os problemas do chão da escola insistem em desafiar o cotidiano escolar de docentes e estudantes. Nesse artigo, temos como objetivo mostrar a importância de um ensino de Filosofia filosófico e que esteja atento aos problemas da realidade escolar e brasileira para a descolonização dos conhecimentos, mas também para o enfrentamento das exclusões e opressões tão presentes no Brasil. Primeiramente apontaremos aspectos de colonialidade na formação e no ensino de Filosofia hegemônico no que diz respeito aos currículos, metodologias, conceitos e problemas. Em um segundo momento, a partir de nossas experiências como docentes da Educação Básica pública, discutiremos vivências nesses espaços que nos forneçam um olhar sobre possíveis problemas filosóficos que envolvam nosso território, tais como o racismo, a misoginia, a fome, entre outros. Por fim, apresentaremos alguns desafios para um ensino de Filosofia conectado ao território. A proposta que defenderemos consiste em conceber os problemas que surgem no chão da escola como os temas a serem tratados na disciplina de Filosofia, promovendo um ensino filosófico e sensível às demandas e sujeitos locais.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

Referências

BARRETO, Tobias. Estudos de filosofia. Introd. e notas de Paulo Mercadante e Antônio Paim. Rio de Janeiro: INL/Record, 1990.

FARIAS BRITO, Raimundo. Finalidade do mundo: a filosofia moderna. vol. 2. Fortaleza: TYP, Universal, 1899.

GALLO, Sílvio; KOHAN, Walter Omar. Crítica de alguns lugares-comuns ao se pensar a filosofia no ensino médio. In: GALLO, Sílvio; KOHAN, Walter Omar (Orgs.). Filosofia no ensino médio. Petrópolis: Vozes, 2000. p. 174-196.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural da amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93, p. 69-82, 1988.

GROSFOGUEL, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Revista Sociedade e Estado, Brasília, v. 31, n. 1, p. 25-49, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69922016000100003.

GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez Editora, 2010. p. 455-491. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69922016000100003.

GT FILOSOFIA E GÊNERO DA ANPOF. Ressonâncias do texto “o machismo nosso de cada dia não rima com filosofia”. Coluna ANPOF, 31 de novembro de 2023. Disponível em: https://anpof.org.br/comunicacoes/coluna-anpof/ressonancias-do-texto-o-machismo-nosso-de-cada-dia-nao-rima-com-filosofia. Acesso em: 21 fev. 2024.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

NOGUERA, Renato. O ensino de Filosofia e a Lei 10.639. Rio de Janeiro: CEAP, 2014.

OYĚWÙMÍ, Oyèrónké. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

PALÁCIOS, Gonçalo Armijos. De como fazer filosofia sem ser grego, estar morto ou ser gênio. Goiânia: Editora da UFG, 2004.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del Poder, Cultura y Conocimiento en América Latina. Anuário Mariateguiano, Lima, v. 9, n. 9, p. 227-238, 1997.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidade-racionalidad. In: PALERMO, Zulma; PABLO, Quintero (Comps.). Aníbal Quijano: textos de fundación. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Del Signo, 2014.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, 2005.

RIBEIRO, João. A philosophia no Brasil. Revista do Brasil, v. 6, n. 22, 1917.

RIBEIRO, Katiúscia. A legitimidade da filosofia africana no Brasil. Revista Cult, São Paulo, 5 de abril 2021. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-legitimidade-da-filosofia-africana-no-brasil/.

SCRINIS, Gyorgy. Nutricionismo: a ciência e a política do aconselhamento nutricional. São Paulo: Editora Elefante, 2021.

SILVA, Franklin Leopoldo. História da filosofia: centro ou referencial? In: NETO, Henrique Nielsen (Org.). O ensino de Filosofia no 2º grau. São Paulo: SOFIA, 1986. p. 153-162.

VELASCO, Patrícia Del Nero. O que pensamos nós, formadores/as de professores/as, sobre formação docente em filosofia? Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação, Brasília, n. 34, p. 12-33, 2020. DOI: https://doi.org/10.26512/resafe.v2i34.35127.

VINHA, Telma et al. Ataques de violência extrema em escolas no Brasil: causas e caminhos. São Paulo: D3e, 2023.

Data de registro: 30/07/2024

Data de aceite: 25/09/2024

Downloads

Publicado

2024-10-14

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

VELOSO GARCIA, Amanda; ISHII DOS SANTOS, Iraceles. A relação entre o ensino de Filosofia e os problemas do chão da escola como forma de descolonização. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 38, p. 1–29, 2024. DOI: 10.14393/REVEDFIL.v38a2024-74645. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/74645. Acesso em: 19 out. 2026.