A vida justa e a invisibilidade do filósofo na República de Platão

Autores

  • Luciano Coutinho Universidade Federal de Uberlândia - UFU

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v32n65a2018-16

Palavras-chave:

República, Invisibilidade, Vida injusta, Vida justa, Invisibilidade filosófica

Resumo

O tema da invisibilidade, na República de Platão, está diretamente ligado à prática da justiça e da injustiça. Glauco (livro segundo) faz um relato para sugerir que qualquer homem, mediante um mítico anel de invisibilidade, agiria injustamente: um indivíduo só agiria bem, segundo esta visão, quando submetido aos olhares de testemunhas, já que busca recompensas particulares, se agir bem, e teme ser punida, se agir mal. Sócrates (livro décimo) sustenta, no entanto, que um homem justo é capaz de agir bem, no interior de uma polis, mesmo diante da mítica possibilidade de se tornar invisível para buscar recompensas particulares. Tentaremos, nesse sentido, demonstrar como a invisibilidade mítico-alegórica, na República, serve para exemplificar o caminho filosófico justo para o melhoramento da psyche humana e da polis. Para tanto, apontaremos o “alguém” (τις) que solta o prisioneiro da Caverna (livro sétimo) como um exemplo fundamental dessa invisibilidade alegórica. Afinal, sabemos de sua existência, mas não sabemos quem ele é.

Palavras-chave: República; Invisibilidade; Vida injusta; Vida justa; Invisibilidade filosófica. 

Fair Life and Invisibility of the Philosopher in Plato's Republic

Abstract: The subject of invisibility in Plato’s Republic is directly linked to the execution of justice and injustice. Glauco (second book) points out that all humans, by means of a mythical ring of invisibility, would act unfairly. Thus, a human being would only act well when exposed to the gaze of witnesses, since it seeks its own reward for acting well and since it is afraid of being punished for acting badly. However, Socrates (tenth book) argues that a fair man is able to act well inside the polis, even in the face of the mythical possibility of becoming invisible and seeking his own reward. In this sense, we will try to show how the mythical-allegorical invisibility in the Republic serves to exemplify the right philosophical way to improve the human psyche and the polis. For this purpose, we will show the “someone” (τις) who releases the prisoner from the Cave (seventh book) as a key example of this allegorical invisibility – we know about his existence, but we do not know who he is.

Keywords: Republic; Invisibility; Fair life; Unfair life; Philosophical invisibility.

La vida justa y la invisibilidad del filósofo en la República de Platón

Resumen: El tema de la invisibilidad, en la República de Platón, está directamente relacionada con la práctica de la justicia y de la injusticia. Glauco (segundo libro) sugiere que cualquier hombre actuaría injustamente se tuviera un anillo de la invisibilidad: una persona sólo actúa bien cuando se somete a la mirada de los testigos, una vez que busca recompensas privadas, se actúa bien, y tiene miedo de ser castigada, se actúa mal. Sócrates (décimo libro) sostiene, todavía, que un hombre justo es capaz de actuar bien, dentro de una polis, incluso ante la mítica posibilidad de volverse invisible para buscar recompensas particulares. Así que pretendemos demostrar cómo la invisibilidad mítico-alegórica sirve para ejemplificar la forma justa de mejorar la psyche humana y la polis. Señalaremos, por lo tanto, el “alguien” (τις) que libera al prisionero de la caverna (sétimo libro) como un ejemplo de esta invisibilidad alegórica, pues sabemos de su existencia, pero no sabemos quién es.

Palabras-clave: República; Invisibilidad; Vida justa; Vida injusta; Invisibilidad filosófica.

Data de registro: 06/03/2017

Data de aceite: 21/02/2018

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Biografia do Autor

Luciano Coutinho, Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Luciano Coutinho é Doutor em Estudos Clássicos / Filosofia Antiga pela Universidade de Coimbra - UC, Portugal e Pós-Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU, Brasil.

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Publicado

2018-08-30

Como Citar

COUTINHO, L. A vida justa e a invisibilidade do filósofo na República de Platão. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 32, n. 65, p. 845–865, 2018. DOI: 10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v32n65a2018-16. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/37773. Acesso em: 15 jul. 2024.