Governamentalidade como ferramenta analítica

uma prática de pesquisa em educação especial

Autores

  • Márcia Lise Lunardi-Lazzarin Universidade Federal de Santa Maria
  • Simoni Timm Hermes Universidade Federal de Santa Maria

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v30n60a2016-p859a881

Palavras-chave:

Governamentalidade, Educação especial, Atendimento educacional especializado, Formação continuada de professores

Resumo

Resumo: Este artigo objetiva mostrar como a governamentalidade constitui-se como uma ferramenta analítica na prática de pesquisa em Educação Especial. Situamos a problemática na condução das condutas dos docentes do Atendimento Educacional Especializado (AEE) nas escolas inclusivas. A partir de documentos legais e materiais didáticos relativos a essa formação continuada, em nível nacional e regional e das incursões nos Estudos foucaultianos em Educação, desenvolvemos o AEE como uma tecnologia de governamento docente, cuja estratégia de produção de uma subjetividade docente operacionaliza as táticas da docência no jogo de cada um e de todos, da docência como querer modificar-se e da docência como prática solidária. A partir dessa materialidade, a governamentalidade possibilita desenvolver um exercício de problematização numa proposta de análise das relações de poder.

Palavras-chave: Governamentalidade; Educação especial; Atendimento educacional especializado; Formação continuada de professores.

 

Governmentality as an analysis tool: a research practice in Special Education

Abstract: This paper aims at showing how governmentality works as an analysis tool in the research practice in Special Education. We have problematized the conduction of conducts of Specialized Educational Assistance (SEA) teachers in inclusive schools. From official documents and didactic materials related to that kind of continuing education in national and regional spheres, and also relying on the Foucauldian Studies in Education, we have regarded SEA as a technology governing teachers; its strategy for the production of teacher subjectivity operates teaching tactics in a game that affects each and everyone, regarding teaching as both a desire to change and a supportive practice. From that materiality, governmentality enables the development of a problematizing exercise in an attempt to analyze power relations.

Keywords: Governmentality; Special education; Specialized educational assistance; Continuing teacher education.

 

Gubernamentalidad como una herramienta analítica: una práctica de investigación en Educación Especial

Resumen: En este artículo se pretende mostrar cómo la gubernamentalidad se estableció como una herramienta analítica en la práctica de la investigación em Educación Especial. Situamos el problema de la conducción de la conducta de los profesores de Educación Especialista de Servicio (ESA) en las escuelas inclusivas. A partir de los documentos legales y materiales relacionados con este tipo de formación continuada a nivel nacional y regional y de las incursiones en los Estudios Foucaultianos en Educación, desarrolló la ESA como una tecnología de governamento de los maestros, la estrategia de producción de una subjetividad maestro operativas las tácticas de enseñanza el juego de todos y cada uno, de la enseñanza como queriendo ser modificados y la enseñanza como práctica conjunta. A partir de esta materialidad, la gubernamentalidad permite desarrollar un ejercicio de cuestionar una propuesta de análisis de las relaciones de poder.

Palabras clave: Gubernamentalidad; Educación especial; Educación especialista de servicio; Formación continuada de los maestros.

 

Data de registro: 21/10/2014

Data de aceite: 15/09/2015

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Márcia Lise Lunardi-Lazzarin, Universidade Federal de Santa Maria

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Professora Associada do Departamento de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Simoni Timm Hermes, Universidade Federal de Santa Maria

Mestre em Educação e Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Referências

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília, 1994.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer n. 13, de 03 de junho de 2009. Diretrizes Operacionais para o atendimento educacional especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 24 set. 2009a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/pceb013_09_homolog.pdf. Acesso em: 07 dez. 2010.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009. Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 05 out. 2009b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf. Acesso em: 07 dez. 2010.

BRASIL. Decreto nº 7611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 18 nov. 2011. Disponível em: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1000&pagina=5&data=18/11/2011. Acesso em: 29 out. 2011.

BRASIL. Edital nº 1, de 2 de março de 2009. Chamada Pública para Cadastramento e Seleção de Cursos de Instituições Públicas de Educação Superior para a Rede de Formação Continuada de Professores na Educação Especial no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil,Brasília, DF, 04 mar. 2009. Disponível em: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=20&data=04/03/2009. Acesso em: 29 out. 2011.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. In:Inclusão: Revistada Educação Especial,Brasília, v. 04, n. 01, p. 09 – 17, jan./jun. 2008.

BRASIL. Portaria Normativa nº 12, de 24 de abril de 2007. Dispõe sobre a criação do “Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial”. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 26 abr. 2007. Disponível em: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=4&data=26/04/2007. Acesso em: 29 out. 2011.

CASTEL, Robert. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Petrópolis: Vozes, 2009. 611p.

CASTRO, Edgardo Manuel. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. Tradução Ingrid Muller Xavier. Revisão Técnica Alfredo Veiga-Neto e Walter Omar Kohan. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. 480p.

DEAN, Mitchell. Governmentality: power and rule in modern society. London: Sage, 1999.

DELPRETTO, Bárbara Martins de Lima et al. Altas habilidades/superdotação.Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, Universidade Federal do Ceará, 2010. 27p. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade. Curso dado no Collège de France (1975 – 1976). Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2005. 382 p. (Coleção tópicos)

FOUCAULT, Michel. Segurança, território e população. Curso dado no Collège de France (1977 – 1978). Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008a. 572 p. (Coleção tópicos)

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. Curso dado no Collège de France (1978 – 1979). Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008b. 474 p. (Coleção tópicos)

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2001. 295 p.

GIACOMINI, Lília et al. Orientação e mobilidade, adequação postural e acessibilidade espacial. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, Universidade Federal do Ceará, 2010. 44p. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)

GOMES, Adriana Leite Lima Verde et al. O atendimento educacional especializado para alunos com deficiência intelectual. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, Universidade Federal do Ceará, 2010. 28p. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)

INSTITUIÇÃO FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR. Fundamentos para a Implementação de uma política pública de formação continuada de professores na área da educação especial, na modalidade a distância, para serem implementados pelo MEC, através da SEESP. Santa Maria, p. 05 –28. 2007a.

LOPES, Maura Corcini; VEIGA-NETO, Alfredo. Inclusão e governamentalidade. Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 947 – 963, Out. 2007. Edição Especial.

LUNARDI, Márcia Lise. A produção da anormalidade surda nos discursos da educação especial. 2003. 200 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.

ROPOLI, Edilene Aparecida et al. A escola comum inclusiva. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, Universidade Federal do Ceará, 2010. 48p. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar)

SCHULTZ, Theodore William. O capital humano: investimentos em educação e pesquisa. Tradução de Marco Aurélio de Moura Matos. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1973. 250 p.

TRAVERSINI, Clarice Salete. Programa alfabetização solidária: o governamento de todos e de cada um. 2003. 210 p. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.

Downloads

Publicado

2016-11-09

Como Citar

LUNARDI-LAZZARIN, M. L.; HERMES, S. T. Governamentalidade como ferramenta analítica: uma prática de pesquisa em educação especial. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 30, n. 60, p. 859–881, 2016. DOI: 10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v30n60a2016-p859a881. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/30896. Acesso em: 15 jul. 2024.