Centralidade da crítica ao trabalho

apontamentos sobre a categoria trabalho nos Manuscritos de 1844 e nos Grundrisse de Marx

Autores

  • Vinicius dos Santos Xavier Rede Estadual de Educação Básica do Estado de São Paulo.

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v30n60a2016-p575a602

Palavras-chave:

Marx, Trabalho, Dialética, Dominação, Emancipação

Resumo

Resumo: O objetivo do artigo é refletir criticamente acerca da categoria trabalho em dois momentos da teoria marxiana: os Manuscritos Econômico-Filosóficos, texto de juventude de Marx, e os Grundrisse, texto que abre uma nova perspectiva e que constitui o passo fundamental para sua teoria de maturidade. Assim, intenta-se demonstrar a necessidade de considerar a teoria marxiana da perspectiva da totalidade, visando o trabalho alienado como centro fundamental da dominação social capitalista. Além do mais, pautar a importância de compreender tal teoria como uma crítica histórica e específica ao sistema social capitalista.

Palavras-chave: Marx; Trabalho; Dialética; Dominação; Emancipação.

 

Centrality of Critique of Labor: notes on the labor category in the Marx's Manuscripts of 1844 and in the Grundrisse

Abstract: The goal of this paper is to reflect critically on the labor category in two moments of marxian theory: the Economic and Philosophic Manuscripts, youth Marx's text, and the Grundrisse, a text that opens a new perspective and is the key step in his mature theory. Therefore, attempts to demonstrate the need to consider the marxian theory from the totality perspective, conceiving the alienated labor as a fundamental center of capitalist social domination. Moreover, guide the importance of understanding this theory as a historical and specific critique to the capitalist social system.

Keywords: Marx; Labor; Dialectic; Domination; Emancipation.

 

Centralidad de la Crítica al Trabajo: apuntes sobre la categoría trabajo en los Manuscritos de 1844 y en los Grundrisse de Marx

Resumen: El objetivo del artículo es refl exionar criticamente sobre la categoria trabajo en dos momentos de la teoría marxiana: los Manuscritos Económicos y Filosóficos, texto de juventud de Marx, y los Grundrisse (Elementos Fundamentales para la Crítica de la Economia Política), texto que abre una nueva perspectiva que constituye el passo crucial para su teoría de madurez. Así, intentademostrarse la necesidad de considerar a la teoría marxiana por la perspectiva de la totalidad, mirando el trabajo alienado como el centro fundamental de la dominación social capitalista. Además, señalar a la importancia de comprender tal teoría como uma crítica histórica y específi ca al sistema social capitalista.

Palabras clave: Marx; Trabajo; Dialéctica; Dominación; Emancipación.

 

Data de registro: 18/05/2015

Data de aceite: 15/03/2016

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Vinicius dos Santos Xavier, Rede Estadual de Educação Básica do Estado de São Paulo.

Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professor Efetivo de Filosofia do Ensino Médio da Rede Estadual de Educação Básica do Estado de São Paulo.

Referências

ANDREWS, C. W. Emancipação e legitimidade: uma introdução à obra de Jürgen Habermas. São Paulo: Editora Unifesp, 2011.

ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afi rmação e a negação do trabalho. 2. ed., 10 reimpressão, revista e ampliada. São Paulo: Boitempo, 2009.

ANTUNES, R. Adeus ao trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 15. ed., São Paulo: Cortez, 2011.

BARBOSA, R. C. Dialética da reconciliação: estudos sobre Habermas e Adorno. Rio de Janeiro: UAPÊ, 1996.

CAMPATO, R. F. Esfera pública burguesa e esfera pública proletária: as perspectivas de Habermas e de Negt e Kluge. 2008. 213f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2008.

EIDT, C. O estado racional: lineamentos da política de Karl Marx nos artigos da Gazeta Renana: 1842-1843. 1998. 587f. Dissertação (Mestrado em Filosofi a) – Faculdade de Filosofi a e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte: 1998.

GIANNOTTI, J. A. O Ardil do trabalho. In: ______. Trabalho e refl exão: ensaios para uma dialética da sociabilidade. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 80-125.

HABERMAS, J. O discurso fi losófico da modernidade. Tradução de Luiz Sérgio Repa; Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HABERMAS, J. Técnica e ciência como “ideologia”. Tradução de Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 2009.

HABERMAS, J. Teoria do agir comunicativo. Tradução de Paulo Soethe; Flávio Beno Siebeneichler. 2 vols. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

HABERMAS, J. Teoria e Práxis: estudos de fi losofi a social. Tradução e Apresentação: Rúrion Melo. São Paulo: Editora Unesp, 2013.

HABERMAS, J. Mudança estrutural da esfera pública: investigações sobre uma categoria da sociedade burguesa. Tradução: Denilson Luís Werle. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

HABERMAS, J. Conhecimento e interesse. Tradução Luiz Repa. São Paulo: Editora Unesp, 2014a

HEGEL, G. W. F. Filosofi a real. Edición de José María Ripalda. México: Fondo de Cultura Econômica, 1984.

HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do espírito. Tradução de Paulo Meneses; com a colaboração de Karl-Heinz Efken e José Nogueira Machado. 5. ed., Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2008.

HONNETH, A. Work and Instrumental Action. In: ______. New German Critique: Critical Theory and Modernity, Durham, n. 26: p. 31 – 54, Spring – Summer, 1982. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.2307/488024>. Acesso em: 18 abr. 2015.

HONNETH, A. Teoria crítica. In: GIDDENS, A.; TURNER, J. (Org.). Teoria social hoje. Tradução de Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Editora UNESP, 1999, p. 503-552.

HONNETH, A. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. Tradução Luiz Repa. São Paulo: Ed. 34, 2003.

HONNETH, A. Trabalho e reconhecimento: tentativa de uma redefi nição, Civitas. Porto Alegre, v. 8 n. 1, p. 46-67, jan./abr. 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2008.1.4321>. Acesso em: 18 abr. 2015.

HONNETH, A. Observações sobre a reifi cação, Civitas. Porto Alegre, v. 8, n. 1, p. 68-79, jan./abr, 2008a. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.15448/1984-7289.2008.1.4322>. Acesso em: 18 abr. 2015.

JAPPE, A. As aventuras da mercadoria: para uma nova crítica do valor. Tradução de José Miranda Justo. Lisboa: Antígona, 2006.

LÖWY, M. A teoria da revolução no jovem Marx. Tradução Anderson Gonçalves. São Paulo: Boitempo, 2012.

LUKÁCS, G. El Joven Hegel y los problemas de la sociedad capitalista. Tradução Manuel Sacristan. 2. ed., Barcelona-Mexico: Ediciones Grijalbo, 1970.

LUKÁCS, G. História e consciência de classe: estudos sobre a dialética marxista. Tradução de Rodnei Nascimento; revisão Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

MAAR, W. L. “A centralidade do trabalho social e seus encantos”. In: FERREIRA, L. C. (Org.). A sociologia no horizonte do século XXI. São Paulo: Boitempo Editorial, 1997. p. 60 – 90.

MAAR, W. L. Materialismo e primado do objeto em Adorno. Trans/Form/Ação. São Paulo, v. 29, n. 2, p. 133-154, 2006a. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/s0101-31732006000200011>. Acesso em: 18 abr. 2015.

MARCUSE, H. Novas fontes para a fundamentação do materialismo histórico. In: ______. Idéias sobre uma teoria crítica da sociedade. Tradução de Fausto Guimarães. Rio de Janeiro: Zahar, 1972. p. 09 – 55.

MARCUSE, H. Razão e revolução: Hegel e o advento da teoria social. 5. ed., Tradução de Marília Barroso. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

MARCUSE, H. Grundrisse: foundations of the Critique of Political Economy. Tradução e prefácio Martin Nicolaus. Londres: Penguin Books, 1993.

MARCUSE, H. Manuscritos econômico-fi losófi cos. Tradução de Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2004.

MARCUSE, H. Crítica da filosofia do direito de Hegel. Tradução de RubensEnderle e Leonardo de Deus; supervisão e notas Marcelo Backes. São Paulo: Boitempo, 2005.

MARCUSE, H. Para a crítica da economia política: Manuscrito de 1861–1863 – Cadernos I a V. Tradução Leonardo de Deus. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

MARCUSE, H. Sobre a questão judaica. Tradução de Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo, 2010a.

MARCUSE, H. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-1858: esboços da crítica da economia política. Tradução de Mario Duayer, Nélio Schneider; colaboração Alice Helga Werner e Rudiger Hoffman. São Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.

MARX, K. O capital: crítica da economia política: Livro I: o processo de produção do capital. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

MELO, R.. Marx e Habermas: teoria crítica e os sentidos da emancipação. São Paulo: Saraiva, 2013.

NEGT, O.; KLUGE, A. A ideologia de blocos. Esfera pública da classe trabalhadora como sociedade dentro da sociedade. In: MARCONDES FILHO, C. (Org.). A linguagem da sedução: a conquista das consciências pela fantasia. 2. ed., Tradução Ciro Marcondes Filho e Plínio Martins Filho. São Paulo: Perspectiva, 1988. p. 129-146.

NEGT, O.; KLUGE, A. O trabalhador total, criado pelo capital com força de realidade, mas que é falso. In: ______. O que há de político na política?: Relações de medida em política. 15 propostas sobre a capacidade de discernimento. Tradução de João Azenha Júnior; colaboração Karola Zimber. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999. p.103-134.

POSTONE, M. Necessity, labor, and time: a reinterpretation of the marxian critique of capitalism, Social Research, v. 45, n. 4: 739 – 788, winter, 1978. Disponível em: http://platypus1917.org/wp-content/uploads/readings/postone_necessitylabortimemarx1978.pdf. Acesso

em: 18 abr. 2015.

POSTONE, M. Time, labor and social domination: A reinterpretation of Marx’s critical theory. Nova York: Cambridge University Press, 1993. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1017/CBO9780511570926>. Acesso em: 18 abr. 2015.

POSTONE, M. Repensando a Marx (en un mundo post-marxista). In: LÓPEZ, J. G.; BLASCO, J. L. et al., (Coord.). Lo que el trabajo esconde: materiales para un replanteamiento de los análisis sobre el trabajo. Tradução de Jorge García López, Jorge Lago Blasco (et al.). Madrid:

Trafi cantes de Sueños, 2005. p. 249 – 283.

POSTONE, M. Crítica, estado e economia. In: RUSH, F. (Org.). Teoria crítica. Tradução de Beatriz Katinsky, Regina Andrés Rebollo. Aparecida: Ideias & Letras, 2008. p. 203-233.

RANIERI, J. Trabalho e dialética: Hegel, Marx e a teoria social do devir. São Paulo: Boitempo, 2011.

RAWLS, J. Uma teoria da justiça. Tradução de Almiro Pisetta e Lenita M. R. Esteves. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

REPA, L. Jürgen Habermas e o modelo reconstrutivo de teoria crítica. In: NOBRE, M. (Org.). Curso livre de teoria crítica. 3. ed., Campinas: Papirus, 2013. p. 161-182.

ROMERO, D. Marx e a técnica: um estudo dos manuscritos de 1861–1863. São Paulo: Expressão Popular, 2005.

Downloads

Publicado

2016-11-09

Como Citar

XAVIER, V. dos S. Centralidade da crítica ao trabalho: apontamentos sobre a categoria trabalho nos Manuscritos de 1844 e nos Grundrisse de Marx. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 30, n. 60, p. 575–602, 2016. DOI: 10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v30n60a2016-p575a602. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/30258. Acesso em: 13 jul. 2024.