MEDICINA E O "GRANDE SÉCULO": A CRÍTICA CARTESIANA

Autores

  • Marisa C. de O. F. Donatelli Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v25nEspeciala2011-11

Palavras-chave:

Mecanicismo cartesiano. Medicina cartesiana. Patologia. Terapêutica.

Resumo

Professora do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Medicina e o "grande século": a crítica cartesiana

Resumo: A literatura nos mostra que a medicina é um dos alvos preferidos das críticas feitas no teatro por Molière na segunda metade do século XVII. Essa situação não é gratuita, pois a medicina fornece material inesgotável às sátiras das quais é vítima, seja pelas práticas terapêuticas usuais, seja pela verborragia característica dos médicos que abusam do latim e da tradição grega à qual se apegam de modo ferrenho. Na filosofia, a crítica a essa ciência também está presente já na primeira metade desse século: justamente pelo fato de a medicina de sua época conter pouca coisa da qual se possa vangloriar, Descartes deposita grandes esperanças nessa área, no sentido de não só promover um conhecimento que leve à redução ou mesmo à eliminação das doenças que afligem o corpo e o espírito, como também de prolongar a vida, livrando-se do enfraquecimento da velhice (AT VI, 63).2 Desde que se instala na Holanda, o filósofo desenvolve estudos com a intenção de construir uma medicina que se destaque daquela que é praticada em sua época, mostrando-se eficaz em seus objetivos. Projeto esse que sofre uma série de alterações à medida que o filósofo prossegue em seus estudos. Este trabalho pretende, a partir

de uma breve apresentação do quadro histórico da medicina na primeirametade do século XVII, mostrar a inserção de Descartes na discussãomédica de seu tempo.

Palavras-chave: Mecanicismo cartesiano. Medicina cartesiana. Patologia.Terapêutica.

Abstract: Literature shows that medicine was one of the favorite objects of Molière'scriticism in theater in the second half of the 17th century. This position isearned, since medicine provides an inexhaustible source for these satiricalideas directed toward it: in addition to the usual therapeutic practices,there is also the typical logorrhea of medical professionals abusivelyemploying the Latin and Greek roots to which they seem inseparably tied.Criticism towards this scientific field was also present in the domain ofPhilosophy since as early as the first half of the same century: preciselybecause medicine at that time did not wield its present power, Descartesplaced great hopes in this field, not only for improving health and eradicatingthe ills afflicting the body and spirit, but also for prolonging life andovercoming the deprivations of old age (AT VI, 63). After settling in theNetherlands, he turned to the study of medicine from a different perspectivefrom that usual in his time, and began to effectively achieve his purposes.His project underwent several changes as it evolved over the years. Thiswork aims to describe the role of Descartes in the medical debate of histime, starting from a brief overview of the historical context of medicine inthe first half of the 17th century.

Keywords: Cartesian mechanism. Cartesian medicine. Pathology.Therapeutics.

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Data de registro: 18/07/2011

Data de aceite: 24/08/2011

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Biografia do Autor

Marisa C. de O. F. Donatelli, Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Professora do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). E-mail: madonat@uesc.br

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Publicado

2015-04-27

Como Citar

DONATELLI, M. C. de O. F. MEDICINA E O "GRANDE SÉCULO": A CRÍTICA CARTESIANA. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 25, n. n.ESP, p. 239–266, 2015. DOI: 10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v25nEspeciala2011-11. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/30014. Acesso em: 19 jun. 2024.

Edição

Seção

Dossiê: Descartes e o Grande Século