"Não aprendi dizer adeus"¹

Autores

  • Rafael Haddock-Lobo Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro - Brasil)

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v29n58a2015-p547a566

Palavras-chave:

Adeus. Fim do mundo. Interrupção. Morte. Sobrevida.

Resumo

[1] Estas palavras que se seguem são obviamente dedicadas à minha mãe, falecida em 23 de junho de 2014, ano de apresentação deste trabalho. A ela que se, em vida, sempre resplandeceu o respeito à singularidade do outro, com sua morte, com a antecipação abrupta do fim do meu mundo, me fez ver que, de fato, eu estava certo em tudo aquilo que escrevi, ao longo de meu percurso, sobre a morte do outro; me fez sentir na pele o que significa o adeus, a infinita responsabilidade para com aquele que não mais responde. Portanto, para Christina, para sempre, e a cada vez única.

*Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - RJ). Professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório KHORA de Filosofias da Alteridade.

"Não aprendi dizer adeus"

Resumo: Este texto tem como objetivo apresentar uma homenagem ao pensamento de Jacques Derrida, tendo por ocasião os dez anos de sua morte. Nesse sentindo, partindo da concepção de "adeus", a qual ele retira de Emmanuel Lévinas e a ele retorna na ocasião de sua morte, pretendemos rastrear alguns momentos da vasta obra derridiana na qual ele trata da relação com a absoluta ausência do outro e do tremor frente a este absurdo. E, ao mesmo tempo, retrata meu momento de reflexão sobre este absurdo com o qual me confrontava naquele momento.

Palavras-chave: Adeus. Fim do mundo. Interrupção. Morte. Sobrevida

"Não aprendi dizer adeus"

Résumé: Ce texte vise à présenter un hommage à la pensée de Jacques Derrida, á l'occas­sion des dix ans de sa mort. En ce sens, à partir de la notion d'"adieu", dont il prend d'Emmanuel Levinas et à lui retourne au moment de sa mort, nous voulons pour tracer certains moments de la grand oeuvre de Derrida dans laquel il traite de la relation avec l'absence absolue de l'autre et du tremblements face à cette absurdité. Dans le même temps, ce texte dépeint mon moment de réflexion sur cette absurdité avec laquelle m'a confronté à cette époque.

Mots-clés: Adieu. Fin du monde. Interruption. Mort. Survie.

Data de registro: 14/04/2015

Data de aceite: 22/04/2015

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Biografia do Autor

Rafael Haddock-Lobo, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro - Brasil)

Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC

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Publicado

2016-03-21

Como Citar

Haddock-Lobo, R. (2016). "Não aprendi dizer adeus"¹. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA, 29(58), 547–566. https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v29n58a2015-p547a566

Edição

Seção

Dossiê Derrida