Inteligência artificial e inovação em processos educacionais: para quê?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-80953

Palavras-chave:

Trabalho docente, Inteligência Artificial, Tecnologia e Educação, Políticas Públicas

Resumo

O artigo examina as contradições do capitalismo e o papel da Inteligência Artificial (IA) como instrumento de reprodução das desigualdades sociais e de intensificação da exploração do trabalho. A análise situa a hegemonia tecnológica como expressão da crise estrutural do capital e problematiza o avanço do tecnocentrismo e do solucionismo tecnológico na educação. Discute-se como políticas públicas e o marco legal em elaboração no Brasil, influenciados pela lógica neoliberal, confrontam a precariedade estrutural das escolas e aprofundam desigualdades históricas. Fundamentado no materialismo histórico-dialético, o estudo propõe uma práxis docente contra-hegemônica, voltada à apropriação crítica e coletiva da tecnologia pelos professores. Tal movimento busca superar a alienação e restituir a autonomia e o reconhecimento do trabalhador docente enquanto sujeito de classe.

Biografia do Autor

  • Phoebe V. Moore, Universidade de Essex - Reino Unido

    Doutora em Filosofia. Escola de Negócios da Universidade de Essex, Campus Colchester, Reino Unido (UK). 

  • Iury Kesley Marques de Oliveira Martins, Secretaria Estadual de Educação de Goiás - Brasil

    Doutorando em Educação - PPGE UFG. Mestre em Educação. Secretaria Estadual de Educação de Goiás (SEDUC-GO), Goiânia, Goiás (GO), Brasil. 

  • Natalia Carvalhaes de Oliveira, Instituto Federal Goiano - Brasil

    Doutora em Educação. Instituto Federal Goiano (IF Goiano) - Campus Trindade     , Trindade, Goiás (GO), Brasil. 

Referências

BRASIL. Congresso Nacional. Senado Federal. Projeto de Lei n. 2.338, de 2023. Dispõe sobre o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da inteligência artificial com base na centralidade da pessoa humana. Brasília, DF: Senado Federal, 2023. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/157233.

CGI.br. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas brasileiras: TIC Educação 2023. 1. ed. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2024. Disponível em: https://cgi.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-das-tecnologias-de-informacao-e-comunicacao-nas-escolas-brasileiras-tic-educacao-2023/.

DREYFUS, H. What Computers Can't Do, New York: MIT Press, 1979.

ECHALAR, A. D. L. F. Avanços tecnológicos sob a hegemonia do capital: problematizando a chamada “Inteligência artificial”. Revista Exitus, [S. l.], v. 15, n. 1, p. e025008, 2025. Disponível em: https://portaldeperiodicos.ufopa.edu.br/index.php/revistaexitus/article/view/2811.

ECHALAR, A. D. L. F.; PEIXOTO, J. Tensões que marcam a inclusão digital por meio da educação no contexto de políticas neoliberais. Educativa, v. 20, n. 3, p. 507-526, 2017.

ECHALAR, A. D. L. F.; PEIXOTO, J.; CARVALHO, R. M. A. de. Ecos e repercussões dos processos formativos nas práticas docentes mediadas pelas tecnologias. Goiânia: PUC Goiás, 2016. Disponível em: http://kadjot.org/wp-content/uploads/2018/01/Ecos_e_Repercusso_es-2.pdf&gt.

ECHALAR, J. D.; PEIXOTO, J.; ALVES FILHO, M. A. (Orgs). Trajetórias: apropriação de tecnologias por professores da educação básica pública. Ijuí: Unijuí, 2020. Disponível em: https://kadjot.org/wp-content/uploads/2022/03/Trajetorias-Apropriacao-de-Tecnologias-por-Professores-daEducacao-Basica-Publica-E-Book.pdf.

FRASER, N., HONNETH, A. Redistribution or recognition? A political-philosophical exchange. London, Brooklyn: Verso, 2003.

LEONTIEV, A. N. Atividade. Consciência. Personalidade. Tradução: Marcelo José de Souza e Silva. 2014. Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/leontiev/1974/06/Atividade-Consciencia-Personalidade.pdf. Acesso em: 29 set. 2025.

LEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo. 2.ed. São Paulo: Centauro, 2004.

LIBÂNEO, J. C. O dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 38, n. 1, p. 13-28, 2012.

MARX, K. O capital: crítica da economia política. Livro 1. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.

MCTI. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Centro de Gestão e Estudos Estratégicos - CGEE. IA para o bem de todos; Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. Brasília, DF: MCTI; CGEE, 2025. 104p.

MOORE, P. The mirror for (artificial) intelligence: in whose reflection? for special issue automation, ai, and labour protection, Prof Valério de Stefano (guest ed.) Comparative Labor Law and Policy Journal, v. 41, n.1, p. 47 - 67, 2020.

MOORE, P. V. Tracking affective labour for agility in the quantified workplace. Body & Society, v. 24, n.3, p. 39-67, 2018.

MOORE, P. V. Workers’ right to the subject: The social relations of data production. Convergence, v. 30, n. 3, p. 1076-1098, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1177/13548565231199971. Acesso em: 01 jul. 2025.

PEIXOTO, J. Contribuições à crítica ao tecnocentrismo. Revista de Educação Pública. v. 31, p. 1-15, 2022.

PEIXOTO, J.; ECHALAR, A. D. L. F.; ECHALAR, J. D.; ALVES FILHO, M. A.; OLIVEIRA, N. C. de. Apropriação e objetivação de tecnologias no trabalho e na formação docente. 1. ed. São Carlos: Pedro & João Editores, 2025. 205p.

UNESCO. Currículos de IA para a educação básica: um mapeamento de currículos de IA aprovados pelos governos. 2022. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000380602_por. Acesso em: 01 jul. 2025.

UNIÃO EUROPEIA. Parlamento Europeu; Conselho da União Europeia. Regulation (EU) 2024/1689 of the European Parliament and of the Council of 13 June 2024 laying down harmonised rules on artificial intelligence and amending Regulations (EC) No 300/2008, (EU) No 167/2013, (EU) No 168/2013, (EU) 2018/858, (EU) 2018/1139 and (EU) 2019/2144 and Directives 2014/90/EU, (EU) 2016/797 and (EU) 2020/1828 (Artificial Intelligence Act). Official Journal of the European Union, L, 2024/1689, 12 jul. 2024. Disponível em: http://data.europa.eu/eli/reg/2024/1689/oj.

VIEIRA PINTO, A. O conceito de tecnologia. v. 1. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.

Publicado

2025-12-31

Edição

Seção

DOSSIÊ: "PLATAFORMIZAÇÃO, FINANCEIRIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO E SOBERANIA DIGITAL: EM QUESTÃO O TRABALHO E A FORMAÇÃO DOCENTE"

Como Citar

MOORE, Phoebe V.; MARTINS, Iury Kesley Marques de Oliveira; OLIVEIRA, Natalia Carvalhaes de. Inteligência artificial e inovação em processos educacionais: para quê?. Revista Educação e Políticas em Debate, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 1–14, 2025. DOI: 10.14393/REPOD-v15n1a2026-80953. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revistaeducaopoliticas/article/view/80953. Acesso em: 6 jan. 2026.