Fábricas de conteúdo: a subordinação do trabalho docente à lógica da financeirização e plataformização
DOI:
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-79562Palavras-chave:
Fábricas de conteúdo, Trabalho docente, Plataformização da educação, Financeirização da educação, TecnocentrismoResumo
Este artigo tem como objetivo apresentar elementos de uma pesquisa em andamento que investiga a reconfiguração do trabalho docente no Brasil a partir do fenômeno das “fábricas de conteúdo”, entendidas aqui como empresas que produzem material didático para Instituições de Ensino Superior privadas. Diante da crescente expansão do setor privado e da modalidade de Educação a Distância, impulsionada por processos de financeirização e plataformização da educação, torna-se crucial investigar como os conteúdos educacionais são produzidos. A hipótese central é que as fábricas de conteúdo materializam um projeto que, sob o véu do tecnocentrismo, promove a subsunção do conhecimento à lógica da acumulação capitalista. Por meio de processos de fragmentação, padronização e intensificação, o trabalho docente é reconfigurado e precarizado. Apresenta-se neste trabalho uma análise da estrutura dessas fábricas e suas implicações para o trabalho docente, tensionando o determinismo tecnológico e apontando para a necessidade de resistências.
Referências
ANTUNES, R. Uberização, Trabalho Digital e Indústria 4.0. São Paulo: Boitempo, 2020.
BRASIL. Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017. Altera dispositivos da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá outras providências; e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. Diário Oficial da União: Brasília, DF, Seção 1, ano 154, n. 63-A, p. 1, 31 mar. 2017. Edição extra. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13429.htm. Acesso em: 15 ago. 2020.
BRASIL. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas relações de trabalho. Diário Oficial da União: Brasília, DF, Seção 1, ano 154, n. 134, p. 1, 14 jul. 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. Acesso em: 16 ago. 2020.
DANTAS, A.; PRONKO, M. Estado e dominação burguesa: revisitando alguns conceitos. In: BARROS A.; BAHNIUK, C.; VARGAS, M. C.; FONTES, V. Hegemonia burguesa na educação pública: problematizações no curso TEMS (EPSJV/PRONERA). Rio de Janeiro: EPSJV, 2018. p. 73-98. Disponível em: https://arca.fiocruz.br/items/150b5c43-b688-4083-9ddd-6c796b3807fb/full. Acesso em: 13 jul. 2021.
DINIZ, J. do R.; OLIVEIRA NETO, A. B. de. Vigilância, plataformização da educação e possíveis saídas: um breve panorama. Germinal: Marxismo e educação em Debate, Salvador, v. 17, n. 1, p. 68-89, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/62756. Acesso em: 19 out. 2025. DOI: https://doi.org/10.9771/gmed.v17i1.62756.
FAUST, J. M.; MELGAREJO, M. M.; SILVA, M. M.O trabalhador docente na escola pública: Novos elementos de subsunção ao capital. Revista Linhas, Florianópolis, v. 21, n. 46, p. 14521, maio/ago. 2020. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/linhas/article/view/1984723821462020145. Acesso em: 15 set. 2025. DOI: https://doi.org/10.5965/1984723821462020145.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1989.
GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere: obra completa. Tradução de IGS-Brasil. Rio de Janeiro: IGS-Brasil, 2024. PDF. ISBN 978-65-83079-18-3. Disponível em: https://igsbrasil.org/galeria. Acesso em: 23 jun. 2025.
GRANEMANN, S. Quando o capital vai às compras: direitos sociais, privatização e a acumulação capitalista. Revista Linhas, Florianópolis, v. 21, n. 46, p. 50-71, 2020. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/linhas/article/view/1984723821462020050. Acesso em: 13 nov. 2023. DOI: https://doi.org/10.5965/1984723821462020050.
HARVEY, D. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1993.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo da Educação Superior 2023: Apresentação dos principais destaques. Brasília, DF: Inep, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/censo-da-educacao-superior/mec-e-inep-divulgam-resultado-do-censo-superior-2023. Acesso em: 10 mar. 2025.
KOSIK, K. A Dialética do Concreto. 7. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.
LÊNIN, V. I. O Estado e a Revolução. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.
MARX, K. O capital: Crítica da economia política: Livro I, tomo II. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.
MARX, K. Parte terceira. Lei: tendência a cair da taxa de lucro. In: MARX, K. O Capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. livro 3, v. 4, p. 277-316.
MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2005.
MELO, S. M. O que é uma startup e o que ela faz? Sebrae, [S. l.], 2022. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/pi/artigos/voce-sabe-o-que-e-uma-startup-e-o-que-ela-faz,e15ca719a0ea1710VgnVCM1000004c00210aRCRD#:~:text=O%20conceito%20mais%20difundido%20%C3%A9,startup%20de%20uma%20empresa%20tradicional.
MÉSZÁROS, I. Das crises cíclicas à crise estrutural. In: MÉSZÁROS, I. A atualidade histórica da ofensiva socialista. São Paulo: Boitempo, 2010, p. 69-98.
MINTO, L. W. A pandemia na educação: o presente contra o futuro? Revista Trabalho, Política e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 6, n. 10, p. 139-154, 2021. Disponível em: https://costalima.ufrrj.br/index.php/RTPS/article/view/810. Aceso em: 12 maio 2024. DOI: https://doi.org/10.29404/rtps-v6i10.810.
PAULO NETTO, J. Introdução ao estudo do método de Marx. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.
PINTO, Á. V. O conceito de tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013. v. 2.
SEKI, A. K. Apontamentos sobre a financeirização do ensino superior no Brasil (1990-2018). Germinal: marxismo e educação em debate, Salvador, v. 13, p. 48-71, 2021. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/43866. Acesso em: 8 mar. 2022. DOI: https://doi.org/10.9771/gmed.v13i1.43866.
SEKI, A. K. A Indústria de Edtechs na França (2002-2022). Dossiê novas facetas da desfiguração do trabalho docente. Caderno CEDES, Campinas, n. 45, p. 1-13, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ccedes/a/MXtZZRmH9K3rCSNYjR58mrF/?format=html&lang=pt. Acesso em: 28 ago. 2025.
SILVA, M. M.; DECKER, A. I.; FAUST, J. M.; MELGAREJO, M. M. Formação da classe trabalhadora em tempos de pandemia e crise do capital: a agenda dos aparelhos privados de hegemonia. Trabalho, Educação e Saúde, [S. l.], v. 19, p. 1-18, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tes/a/6KwwzCdYyw9fHRxrYfHwxst/?lang=pt. Acesso em: 12 set. 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-7746-sol00322.
SILVA, M. M.; MARCASSA, L. P. O Estado contemporâneo sob as lanternas de Lênin: definhando o grande Leviatã. Germinal: Marxismo e educação em debate, Salvador, v. 12, p. 1-17, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/37662. Acesso em: 21 abr. 2023. DOI: https://doi.org/10.9771/gmed.v12i2.37662.
SILVA, P. A. P. EdTech e a plataformização da educação. 2022. 116 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/19281. Acesso em: 16 jul. 2024.
TEIXEIRA, P. H. M. A uberização do trabalho docente: reconfiguração das condições e relações de trabalho mediados por plataformas digitais. 2022. 303 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/45841. Acesso em: 18 out. 2025.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Mariléia Maria da Silva, Milene Silva de Castro

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
























