Entre automação e precarização do trabalho: a formação humana tensionada pelas inteligências artificiais

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-80946

Mots-clés :

Educação e Tecnologia, Mercantilização do conhecimento, Teoria Marxiana do Valor

Résumé

O artigo analisa os tensionamentos entre automação e precarização do trabalho no capitalismo contemporâneo, tomando as inteligências artificiais como expressão das contradições do capital. Sob uma perspectiva marxiana, discutimos como as inteligências artificiais reforçam a exploração do trabalho e a alienação, seja na substituição de postos de trabalho, seja na intensificação da produtividade via extração de mais-valia relativa. Na educação, sua adoção é impulsionada por políticas globais que promovem a plataformização e a financeirização, por meio da fetichização da tecnologia, aprofundando desigualdades estruturais. As inteligências artificiais, enquanto produto histórico das relações sociais de produção, não superam as contradições do capital, mas as radicalizam. Concluímos que a apropriação contra-hegemônica, desta e de todas as tecnologias, exige a organização política da classe trabalhadora, vinculando a tecnologia a projetos de socialização dos meios de produção.

Biographies de l'auteur-e

  • Joana Peixoto, Instituto Federal de Goiás - Brasil

    Doutorado em Ciências da Educação. Universidade Paris VII (UPVIII), Paris, França. Instituto Federal de Goiás (IFG), Goiânia, GO. Brasil. 

  • Adda Daniela Lima Figueiredo Echalar, Universidade Federal de Goiás - Brasil

    Doutorado em Educação. Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, GO, Brasil. 

Références

ANTUNES, R.; FILGUEIRAS, V. Plataformas digitais, Uberização do trabalho e regulação no Capitalismo contemporâneo. Contracampo, Niterói, v. 39, n. 1, p. 27-43, abr./jul. 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.22409/contracampo.v39i1.38901.

ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2009.

ANTUNES, R. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.

ECHALAR, A. D. L. F.; PEIXOTO, J. Programa Um Computador por Aluno: o acesso às tecnologias digitais como estratégia para a redução das desigualdades sociais. Ensaio. Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 25, n.95, p. 393-413, 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1590//s0104-40362017002501155.

HARVEY, D. Os limites do capital. Edição revista e ampliada. Tradução de Magda Lopes. São Paulo: Boitempo, 2022.

HARVEY, D. Dezessete contradições e o fim do capitalismo. Tradução de Rogério Bettoni. 2 ed. São Paulo, Boitempo, 2016.

MARX, K. Grundrisse: manuscritos de 1857-1858: esboço da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo: Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2011.

MARX, K. O Capital: crítica da economia política: livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2017a.

MARX, K. O Capital: crítica da economia política: livro III: o processo global da produção capitalista. São Paulo: Boitempo, 2017b.

MARX, K; ENGELS, F. Manifesto Comunista. 4a reimpressão. Tradução: Álvaro Pino. São Paulo-SP: Boitempo, 2005.

MOROZOV, E. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. São Paulo: Boitempo, 2018.

MST. Movimento dos trabalhadores rurais sem terra. Brasil e China lideram parceria do Sul Global por agroecologia e soberania alimentar. 2025. Disponível em: https://mst.org.br/2025/04/09/brasil-e-china-lideram-parceria-do-sul-global-por-agroecologia-e-soberania-alimentar/. Acesso em: 15 abr. 2025.

OTTO, A. L. N. Políticas de formação continuada de professores de Ciências da Natureza na rede estadual de educação de Goiás: ciência e tecnologia em questão. 2021. 122 f. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências e Matemática) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2021.

PEIXOTO, J. Contribuições à crítica ao tecnocentrismo. Revista de Educação Pública. v. 31, p. 1-15, 2022.

ROCHA FILHO, R. A.; ARAÚJO, J. Cultura e estratégia nacional para o desenvolvimento de políticas audiovisuais de amplo espectro na economia criativa. Princípios, São Paulo, v. 43, p. 66-87, 2024. DOI: https://doi.org/10.4322/principios.2675-6609.2024.169.005.

SILVEIRA, S. A. Ideologia da transformação digital. Automatismos, solucionismos e alienação técnica. Linguagem em Foco, Fortaleza, v. 15, p. 11-25, 2024. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/linguagememfoco/article/view/12380. Acesso em: 8 abr. 2025.

UCHOA, A. M. da C.; SENA, I. P. F. de S.; GONÇALVES, M. E. S. (Orgs.). EAD, Atividades remotas e ensino doméstico: cadê a escola? Porto Alegre, RS: Fi, 2020. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1cf4J5zkk6IHaWILbfZ0eZiUmcSC_9T5l/view. Acesso em: 20 jul. 2025.

ZUBOFF, S. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. 1. ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.

Publié

2025-12-31

Numéro

Rubrique

DOSSIER : « PLATEFORMISATION, FINANCIARISATION DE L’EDUCATION ET SOUVERAINETE NUMERIQUE : LA QUESTION DU TRAVAIL ET DE LA FORMATION DES ENSEIGNANTS »

Comment citer

PEIXOTO, Joana; ECHALAR, Adda Daniela Lima Figueiredo. Entre automação e precarização do trabalho: a formação humana tensionada pelas inteligências artificiais. Revista Educação e Políticas em Debate, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 1–14, 2025. DOI: 10.14393/REPOD-v15n1a2026-80946. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/revistaeducaopoliticas/article/view/80946. Acesso em: 7 janv. 2026.