Trabalho e formação docente diante da plataformização, da financeirização da educação e da soberania digital
Entrevista: José Claudinei Lombardi
DOI :
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-80940Mots-clés :
Marxismo, Tecnologia, Educação, Plataformização, Pedagogia Histórico-CríticaRésumé
O professor e intelectual José Claudinei Lombardi (Zezo) ancora sua reflexão no marxismo para pensar nas discussões postas durante a entrevista. Segundo o autor, a ontologia marxista concebe o ser social em sua materialidade, entendendo a tecnologia como expressão do trabalho humano objetivado, mediada pelos processos produtivos e historicamente determinada pelas relações sociais. Com base em Marx, Engels, Gramsci, Mészáros e Antunes, ele argumenta que sob os fundamentos do capital, as inovações ampliam a produtividade, reforçam a dominação e precarizam o trabalho. Termos como “capitalismo digital” e “capitalismo de vigilância” captam aspectos conjunturais, mas podem obscurecer a essência: a exploração do trabalho vivo como base da acumulação de mais valor. No campo educacional, Lombardi evidencia que o tecnicismo e o neotecnicismo subordinam a pedagogia à lógica instrumental, aprofundada pelos processos de plataformização e financeirização, que implicam perda de autonomia e de soberania digital. O intelectual faz a defesa da Pedagogia Histórico-Crítica, a formação omnilateral e o desvelamento do fetichismo. Conclui propondo três tarefas: a crítica à educação burguesa; a práxis que democratize o saber sistematizado; e a formação política voltada à emancipação humana.
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