Plataformização da educação superior: privatização, padronização e alienação nos processos de ensino
DOI :
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-79247Mots-clés :
Plataformização, Educação Superior, Tecnologias DigitaisRésumé
A contemporaneidade é marcada, sobretudo, pela expansão e desenvolvimento das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). Muito mais do que meras ferramentas à disposição do agir humano, os recursos tecnológicos mais recentes, enquanto verdadeiras instituições sociais, ressignificam práticas, saberes e relações diversas. Na educação, as TDIC trazem uma série de implicações, dentre as quais cabe citar o uso de plataformas que passam a mediar o processo de ensino-aprendizagem. Diante disso, o objetivo deste artigo é discutir a plataformização da educação superior, problematizando os processos de privatização, padronização e alienação do ensino. Trata-se de um ensaio teórico que, por isso mesmo, possui abordagem qualitativa. Baseando-se em diferentes autores da área da educação e/ou tecnologias, concluímos que as plataformas apresentam dualidades diversas, criando possibilidades ao passo que engendram desafios e problemas. Nesse cenário, é fundamental defender uma reapropriação, por parte dos docentes, do protagonismo em face das plataformas e do que, nestas páginas, chamamos de plataformização.
Références
BARBOSA, R. P.; ALVES, N. A Reforma do Ensino Médio e a Plataformização da Educação: expansão da privatização e padronização dos processos pedagógicos. e-Curriculum, São Paulo, v. 21, e61619, 2023. DOI: https://doi.org/10.23925/1809-3876.2023v21e61619.
BARBROOK, R.; CAMERON, A. The californian ideology. Mute, Londres, v. 1, n. 3, p. 44-73, 1 set. 1995. Disponível em: https://www.metamute.org/editorial/articles/californian-ideology. Acesso em: 15 jul. 2025.
CANDAU, V. M. F. Didática hoje: entre o “normal”, o híbrido e a reinvenção. Perspectiva, [S. l.], v. 40, n. 3, p. 1–14, 2022. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-795X.2022.e85552.
CASTELLS, M. A sociedade em rede: a era da informação: economia, sociedade e cultura. Volume I. Trad. R. V. Majer e J. Simões. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
COSTA, C. R.; OJEDA, C. M.; LOPES, R. P. Plataformização na Educação Superior Pública e seus efeitos no Brasil. In: Colloquium Humanarum, v. 22, n. 1, p. 1–18, e245047, 2025. Disponível em: https://journal.unoeste.br/index.php/ch/article/view/5047. Acesso em: 1 nov. 2025.
DUCI, J. R.; GOMES, L. R. Inovação Pedagógica e Plataformização da Docência: apontamentos críticos. Linhas Críticas, v. 30, p. e52577-e52577, 2024. DOI: https://doi.org/10.26512/lc30202452577.
FEENBERG, A. O que é a filosofia da técnica? In: NEDER, R. (Org.). A teoria crítica de Andrew Feenberg: racionalização democrática, poder e tecnologia. Brasília: Observatório do Movimento pela Tecnologia Social na América Latina/CDS/UnB/CAPES, 2013. p. 51-65.
FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes, 1987.
FREIRE, P. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d’Água, 1995.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HARVEY, D. Condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1994.
HEGGLER, J. M.; SZMOSKI, R. M.; MIQUELIN, A. F. As dualidades entre o uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos. Educação & Sociedade, Campinas, v. 46, e289323, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/ES.289323.
KENSKI, V. M. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 1. ed. Campinas, SP: Papirus, 2003.
LARANGEIRA, S. Fordismo e pós-fordismo. In: CATTANI, A. D. (Org.). Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis: Vozes, 1997. p. 89-94.
LATOUR, B. Reagregando o social: uma introdução à teoria do Ator-Rede. Salvador: Edufba, 2012.
LÉVY, P. Cibercultura. Trad. C. I. da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.
LOVELUCK, B. Redes, liberdade e controle: uma genealogia política da internet. Petrópolis: Editora Vozes, 2018.
MALLMANN, E. M.. A Vulgarização da Inovação nas Políticas Públicas e a Hegemonia Proprietária na Plataformização da Educação Pública. Paradigma, Maracay, v. 44, n. 5, p. 542–568, 2023. DOI: https://doi.org/10.37618/PARADIGMA.1011-2251.2023.p542-568.id1516.
MASETTO, M. T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papirus, 2006.
MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.
MORAN, J. M. A Educação que Desejamos: novos desafios e como chegar lá. 2007.
NEMER, D. Tecnologia do oprimido: desigualdade e o mundano digital nas favelas do Brasil. Vitória: Milfontes, 2021.
OLIVEIRA, A. A.; SILVA, Y. F. O. Mediação pedagógica na aprendizagem invertida: uma revisão sistemática de um contexto pré-pandemia de Covid-19. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 19, n. 50, p. e11883, 2023. DOI: https://doi.org/10.22481/praxisedu.v19i50.11883.
RODRIGUES, O. S.; RODRIGUES, K. S. A inteligência artificial na educação: os desafios do ChatGPT. Texto Livre, v. 16, p. e45997, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1983-3652.2023.45997.
SADIN, E. La silicolonización del mundo: la irresistible expansión del liberalismo digital. Trad. M. Martínez. Buenos Aires: Caja Negra Editora, 2023.
SANTAELLA, L. Humanos hiper-híbridos: linguagens e cultura na segunda era da internet. São Paulo: Paulus, 2021.
SILVA, P.; COUTO, E. S. Plataformização da Aprendizagem e o Protagonismo de Humanos e Não Humanos nas Práticas Pedagógicas. Educação em Revista, v. 40, p. e39146, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-469839146.
SILVA, P. A. P. EdTech e a plataformização da educação. 2022. 114 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/19281. Acesso em: 1 ago. 2025.
VALENTE, J. C. L. Tecnologia, informação e poder: das plataformas online aos monopólios digitais. 2019. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2019.
VELOSO, B.; PARESCHI, C. Z.; OLIVEIRA, A. A. Reapropriação do protagonismo docente na cultura digital: matriz teórica para uma didática crítica. Revista Multitexto, v. 12, p. 120-129, 2024. DOI: https://doi.org/10.47247/2316.4484/12.1.11.
VELOSO, B. Educação e tecnologias como comprometimento: proposições para pensar o estudo da técnica em âmbito educacional. Sisyphus: Journal of Education, Lisboa, v. 11, n. 3, p. 89-108, out. 2023. DOI: https://doi.org/10.25749/sis.29403.
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2013.
ZARIFIAN, P. Engajamento subjetivo, disciplina e controle. Novos Estudos Cebrap, v. 64, São Paulo, 2002, p. 23-31. Disponível em: https://cristianorodriguesdotcom.files.wordpress.com/2013/06/zarifian.pdf. Acesso em: 04 ago. 2025.
ZUBOFF, S. A Era do Capitalismo de Vigilância. Trad. G. Schlesinger. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2021.
Téléchargements
Publié
Numéro
Rubrique
Licence
© Braian Veloso, Claudinei Zagui Pareschi, Gustavo Carvalho Mauricio, Achilles Alves de Oliveira 2025

Cette œuvre est sous licence Creative Commons Attribution - Pas d'Utilisation Commerciale - Pas de Modification 4.0 International.
























