A ordem da gramática de João de Barros sob o olhar da Historiografia (da) Linguística
um estudo de gramaticografia portuguesa quinhentista
DOI:
https://doi.org/10.14393/LL63-v42-2026-04Palavras-chave:
Gramática, João de Barros, Gramaticografia, Historiografia Linguística, Língua portuguesaResumo
Este trabalho realiza uma análise historiográfica da Gramática da Língua Portuguesa de João de Barros (1540), marco inaugural da tradição gramatical portuguesa. Inserido no campo da Historiografia (da) Linguística, o estudo examina a gramaticografia como prática ideológica, revelando o papel da obra na normatização do vernáculo português e na consolidação de um projeto cultural e colonial no século XVI. Influenciada pelos modelos greco-latinos e pelo ideal humanista, a gramática de Barros funciona como instrumento de disciplinamento e poder simbólico (BOURDIEU, 1996), alinhando-se à evangelização, à administração imperial e ao ensino. A partir de uma leitura crítica e, observa-se como Barros prescreve usos linguísticos que sustentam a hegemonia cultural lusitana. Conclui-se que a gramática não reflete apenas a língua, mas integra um processo histórico e político de construção da identidade linguística portuguesa, reforçando seu papel como língua de fé, cultura e dominação.
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