A liberdade como experiência formativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v37n81a2023-67653

Palavras-chave:

Educação, Formação, LiberdadeL, Lispector, Nietzsche

Resumo

Resumo: O artigo tem como objetivo mostrar como Nietzsche e Lispector podem nos ajudar a pensar sobre a experiência da liberdade e seus impactos para a formação humana. Os dois são fiéis à terra, expressam com sua filosofia e literatura uma beleza do aqui e agora, tomam a palavra para ensaiar uma escrita não metafísica para fazer florescer outros horizontes de sentido. Assim, a questão da formação implicada pela liberdade tem como proposta incorporar a singularidade como aquilo que a educação promove ao inventar-se, diferenciar-se, afirmando a vida em circunstâncias sempre mutáveis pautadas por configurações contingentes e plurais. A liberdade expressa-se tragicamente, nenhuma parcela da vida pode ser excluída, o mundo é a única morada. Concluímos que a formação humana acontece enquanto jogo de forças do vir a ser e é a tarefa mais imperiosa para a constituição do humano como uma abertura “para que muitas auroras que ainda não brilharam, possam brilhar”.

Palavras-chave: Educação; Formação; Liberdade; Lispector; Nietzsche

Freedom as a formative experience 

Abstract: The article aims to show how Nietzsche and Lispector can help us think about the experience of freedom and its impacts on human formation. Both are faithful to the land, express with their philosophy and literature a beauty of the here and now, take the floor to rehearse a non-metaphysical writing to make other horizons of meaning flourish. Thus, the issue of formation implied by freedom has the proposal to incorporate singularity as what education promotes by inventing itself, differentiating itself, affirming life in ever-changing circumstances guided by contingent and plural configurations. Freedom is expressed tragically, no part of life can be excluded, the world is the only home. We conclude that human formation takes place as a game of forces of becoming and is the most imperative task for the constitution of the human as an opening "so that many dawns that have not yet shone, may shine".

Keywords: Education; Formation; Freedom; Lispector; Nietzsche;

La libertad como experiencia formativa 

Resumen: El artículo pretende mostrar cómo Nietzsche y Lispector pueden ayudarnos a pensar sobre la experiencia de la libertad y sus impactos en la formación humana. Ambos son fieles a la tierra, expresan con su filosofía y literatura una belleza del aquí y ahora, toman la palabra para ensayar una escritura no metafísica para hacer florecer otros horizontes de significado. Así, la cuestión de la formación que implica la libertad tiene la propuesta de incorporar la singularidad como lo que la educación promueve al inventarse, diferenciarse, afirmar la vida en circunstancias siempre cambiantes guiadas por configuraciones contingentes y plurales. La libertad se expresa trágicamente, ninguna parte de la vida puede ser excluida, el mundo es el único hogar. Concluimos que la formación humana se produce como un juego de fuerzas del devenir y es la tarea más imperativa para la constitución de lo humano como apertura "para que brillen muchas auroras que aún no han brillado".

Palabras clave: Educación; Formación; Libertad; Lispector; Nietzsche;

Data de registro: 29/11/2022

Data de aceite: 23/08/2023

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lúcia Schneider Hardt, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professora Titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista em produtividade em pesquisa-PQ-2. E-mail: luciashardt@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2856120081290253. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4939-0156.

Referências

BARRENECHEA, Miguel Angel. Cad. Nietzsche, Guarulhos/Porto Seguro, v. 41, n. 3, set.-dez. 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/2316-82422020v4103mab.

CAMARGO, Gustavo Arantes. Liberdade e vontade de potência na filosofia de Nietzsche. Cad. Nietzsche, Guarulhos/Porto Seguro, v. 42, n. 3, p. 115-146, set./dez. 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/2316-82422021v4203gac.

GUERVÓS, Luis Enrique de Santiago. Estética e linguagem em Nietzsche: outras possibilidades de dizer. In: SILVA JÚNIOR, Ivo (Org.). Filosofia e cultura: festschrift em homenagem a Scarlett Marton. São Paulo: Barcarolla, 2011.

LEITER, Brian. A teoria nietzschiana da vontade. Cad. Nietzsche, Guarulhos/Porto Seguro, v. 38, n. 3, p. 17-49, set.-dez. 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/2316-82422017v3803bl.

LEITER, Brian. Quem é o indivíduo soberano? Nietzsche sobre a liberdade. Estudos Nietzsche, Espírito Santo, v. 10, n. 1, p. 69-90, jan.-jun. 2019.

LISPECTOR, Clarice. Água viva. São Paulo: Círculo do Livro, 1973.

LISPECTOR, Clarice. Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G. H. São Paulo: Mediafashion, 2017. (Coleção Folha Mulheres na Literatura v.1)

LOPES, Luiz. Paisagens terrenas: Nietzsche e Clarice Lispector. Cadernos CESPUC, Belo Horizonte, n. 28, 2016. Série Ensaios. DOI: https://doi.org/10.5752/P2358-3231.2016n28p281.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal: prelúdio a uma filosofia do futuro. Tradução, notas e posfácio Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

NIETZSCHE, Friedrich. Aurora: Reflexões sobre os preconceitos morais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

NIETZSCHE, Friedrich. Crepúsculo dos ídolos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra – um livro para todos e para ninguém. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

NIETZSCHE, Friedrich. Humano demasiado humano: um livro para espíritos livres. v. II. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

MARTON, Scarlett. Nietzsche e as mulheres: figuras, imagens e tipos femininos. Belo Horizonte: Autêntica, 2022.

TONGEREN, Paul Van. A moral da crítica de Nietzsche à moral: estudos sobre para além de bem e mal. Curitiba: Champagnat, 2012.

VIESENTEINER, Jorge L. Agente moral expressivista em Nietzsche e avaliação de juízos práticos perfeccionistas. Cad. Nietzsche, Guarulhos/Porto Seguro, v. 41, n. 2, p. 145-189, maio-ago. 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/2316-82422020v4102jlv.

Downloads

Publicado

2024-02-09

Como Citar

HARDT, L. S. A liberdade como experiência formativa. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 37, n. 81, p. 1349–1376, 2024. DOI: 10.14393/REVEDFIL.v37n81a2023-67653. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/67653. Acesso em: 18 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos