Usos da prosopografia para a história dos intelectuais da educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v33n67a2019-47897

Palavras-chave:

Prosopografia, Intelectuais, Pesquisa histórica

Resumo

O artigo discute a potencialidade e os modos de uso da prosopografia em pesquisas sobre intelectuais na história da educação. Apresenta, em percurso bibliográfico, as principais definições, conceitos, operações metodológicas e fontes que a constituem. Sustenta que, no campo da história da educação, a metodologia prosopográfica oferece contribuições para o estudo dos intelectuais, sobretudo em investigações sobre os manifestos e seus signatários, cujos liames societários podem reafirmar ou subverter a lógica das posições individuais; os coletivos docentes, suas trajetórias de formação e movimentação institucional e regional; as histórias institucionais, notadamente quanto à destinação social e política de egressos e à circulação de quadros técnicos e acadêmicos; as associações da sociedade civil, tais como sindicatos e entidades categoriais, cujos quadros atuaram na esfera educacional. Conclui-se que a utilização da prosopografia permite ao historiador extrapolar a usual abordagem individual de autores e ideias em educação, a fim de integrar os intelectuais em coletivos, tais como grupos profissionais, redes de sociabilidade e comunidades disciplinares, nos quais as propriedades relacionais e os jogos de interesse podem revelar tantos significados quanto os discursos, material da maioria das pesquisas em torno do tema.

Palavras-chave: Prosopografia. Intelectuais. Pesquisa histórica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Bruno Bontempi Júnior, USP

Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). E-mail: bontempi@usp.br

Referências

BOBBIO, N. Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: Unesp, 1997.

BONTEMPI Jr., B. Entre a tradição e a inovação: um estudo diacrônico dos eixos temáticos e da aderência dos congressistas nos CBHE (2000-2015). Texto apresentado em mesa redonda no IX Congresso Brasileiro de História da Educação. João Pessoa-PB, 2017.

BONTEMPI Jr., B. Os expertos e o jornalista na formação da opinião pública em educação: o caso do inquérito de 1914. In: LEITE, J. L.; ALVES, C. M. C. (Org.). Intelectuais e história da educação no Brasil: poder, cultura e políticas. Vitória: Edufes, 2011, p. 141-162.

BONTEMPI Jr., B. História da educação brasileira: o terreno do consenso. Mestrado em Educação. 1995. 117 f. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 1995.

BULST, N. Sobre o objeto e o método da prosopografia. Politeia: História e Sociedade, v. 5, n. 1, p. 47-67, 2005.

CATANI, D. B.; FARIA FILHO, L. M. Um lugar de produção e a produção de um lugar: história e historiografia da educação brasileira nos anos de 1980 e de 1990. In: GONDRA, J. G. (Org.). Pesquisa em história da educação no Brasil. Rio de Janeiro: DP&A, 2005, p. 85-110.

CHARLE, C. Les élites culturelles en France au XIXème siècle. Inventaire des recherches récentes sur la genèse des intellectuels contemporains. In: HUDEMANN, R.; SOUTOU, G-H. Eliten in Deutschland und Frankreich im 19. und 20. Jahrhundert. Strukturen und Beziehungen, Band 1. München: Oldenbourg, 1994, p. 45-64.

CHARLE, C. Micro-histoire social et macro-histoire sociale: quelques réflexions sur les effets des changements de méthode depuis quinze ans en histoire sociale. In: CHARLE, C. (org.). Histoire sociale, histoire globale? Actes du colloque des 27-28 janvier 1989. Paris. Fondation de la Maison des Sciences de l’Homme, 1993, p. 45-53. https://doi.org/10.3406/hedu.1990.3207

CHARLE, C. Prosopography (Collective Biography). International Encyclopedia of the Social & Behavioral Sciences, 2001. Disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/B0080430767026310. Acesso em 12/02/2019.

CHASTAGNOL, A. La prosopographie, méthode de recherche sur l'histoire du bas Empire. Annales. Economies, sociétés, civilisations. n. 5, p. 1229-1235, 1970. https://doi.org/10.3406/ahess.1970.422267

DELPU, P-M. La prosopographie, une ressource pour l’histoire sociale. Hypothèses, p. 263-274, 2015. https://doi.org/10.3917/hyp.141.0263

DOSSE, F. Histoire Intellectuel. In: DELACROIX, C.; DOSSE, F.; GARCIA, P.; OFFENSTADT, N. Historiographies, I. Concepts et débats. Paris: Gallimard, 2010, p. 378-390.

DOSSE, F. O desafio biográfico. Escrever uma vida. São Paulo: Edusp, 2009.

FERRARI, M. Prosopografía e historia política. Algunas aproximaciones. Antíteses, v. 3, n. 5, 2010, p. 529-550. Disponível em http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/antiteses. Acesso em 12/02/2019.

FURET, F. Pensando a revolução francesa. São Paulo: Paz & Terra, 1989.

HEINZ, F. M. Por outra história das elites. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

HEINZ, F. M.; CODATO, A. A prosopografia explicada para cientistas políticos. In: CODATO. A.; PERISSIONOTO, R. (Org.). Como estudar elites. Curitiba: Ed. UFPR, 2015, p. 249-278.

LANÇA, J. F. Capitais e formação acadêmico-profissional dos egressos da Escola Politécnica de São Paulo (1899 a 1905). 2018, 158 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 2018.

MICELI, S. Intelectuais à brasileira. São Paulo: Cia. das Letras, 2001.

MOSCA, G. História das doutrinas políticas desde a antiguidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

NICOLET, C. Prosopographie et histoire sociale: Rome et l’Italie. Annales. Economies, sociétés, civilisations, n. 5, p. 1209-1228, 1970. https://doi.org/10.3406/ahess.1970.422266

PARETO, V. Manual de economia política. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

SAVIANI, D.; CARVALHO, M. M. C.; VIDAL, D.; ALVES, C.; GONÇALVES NETO, W. Sociedade Brasileira de História da Educação: constituição, organização e realizações. Revista Brasileira de História da Educação, v. 11, n. 3, p. 13-45, 2011.

SILVA, C. M. N. Para os grandes males, os grandes remédios: propostas educacionais no Congresso Agrícola, Industrial e Comercial de Minas Gerais (1903). 2016. 257 f Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação). Universidade de São Paulo, 2016.

SILVA, I.; BONTEMPI Jr., B. Elite maçônica e as escolas da Loja Sete de Setembro na revista A Maçonaria no Estado de São Paulo (1912-1932). Rev. Bras. Hist. Educ., n. 18, p. 1-30, 2018. SIRINELLI, J.-F. Génération intellectuelle. Khâgneux et Normaliens dans l’entre-deux-guerres. Paris: Fayard, 1988. https://doi.org/10.4025/rbhe.v18.2018.e039

STONE, L. Prosopography, Daedalus. v.100, n. 1, p. 46-79, 1971.

VERBOVEN, K; CARLIER, M.; DUMOLYN, J. A short manual to the art of prosopography. In: KEATS-ROHAN, K. S. B. (Org.). Prosopography Approaches and Applications. A Handbook, Oxford, Unit for Prosopographical Research (Linacre College), 2007, p. 35-69.

VIEIRA, C. E. Erasmo Pilotto: identidade, engajamento político e crenças dos intelectuais vinculados ao campo educacional brasileiro. In: LEITE, J. L.; ALVES, C. M. C. (Org.). Intelectuais e história da educação no Brasil: poder, cultura e políticas. Vitória: Edufes, 2011, p. 25-54.

VIEIRA, C. E. História da Educação e História da Filosofia: culturas cruzadas a partir das concepções de história e de escrita da história em Hegel. Pro-Posições, v. 20, n. 1 (58), p. 189-205, 2009. https://doi.org/10.1590/S0103-73072009000100011

VIEIRA, C. E. História intelectual e história dos intelectuais: diálogos acerca da escrita da história da educação. In: VIEIRA, C. E.; STRANG, B. L. S.; OSINSKI, D. R. B. (Org.). História intelectual e educação: trajetórias, impressos e eventos. Jundiaí: Paco Editorial, 2015, p. 11-26.

VIEIRA, C. E. O historicismo gramsciano e a pesquisa em educação. Perspectiva, n. 20, p. 31-51.

WARDE, M. J. Anotações para uma historiografia da Educação Brasileira. Em Aberto, Brasília, v.3, n. 23, p.1-6, 1984.

Downloads

Publicado

2019-12-18

Como Citar

Júnior, B. B. (2019). Usos da prosopografia para a história dos intelectuais da educação. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA, 33(67), 57–82. https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.v33n67a2019-47897

Edição

Seção

Dossiê Intelectuais entre a educação, a ciência e a política: abordagens