Considerações sobre o sentido da moral em Descartes

Autores

  • Alexandre Guimarães Tadeu de Soares Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v29nEspeciala2015-p215a236

Palavras-chave:

Descartes. Moral. União. Saber. Morte.

Resumo

*Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor do Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.

Considerações sobre o sentido da moral em Descartes

Resumo: Procurei mostrar que, no final de sua vida, Descartes, motivado pela sua corres­pondência com Elisabeth, elabora uma Moral que não pode ser entendida como decorrente da Medicina do seu projeto técnico-científico. Pois, em primeiro lugar, a noção de ciência como conhecimento certo já não é capaz de caracterizar o saber filosófico que surge nessa reflexão, visto que se trata da união substancial, assunto estruturalmente confuso. Em segundo lugar, o paradigma da explicação causal, que já havia deixado o estrito plano da ciência, já não pode ser encontrado num plano teórico, mas tem de ser pensado a partir da interação vivida entre a mente e o corpo. Em terceiro lugar, o sentido do filosofar deixa de ser epistemológico e técnico e passa radicalmente a ser moral e existencial, definido pelo aprendizado da morte. No entanto, cumpre não esquecer que toda essa inflexão se faz por causa e com a metafísica e a ciência cartesianas.

Palavras-chave: Descartes. Moral. União. Saber. Morte.

Considerações sobre o sentido da moral em Descartes

Résumé: J'ai essayé de montrer que Descartes, à la fin de sa vie, motivé par sa correspon­dance avec Élisabeth, élabore une Morale qui ne peut pas être comprise en tant que résultat de la Médecine de son projet technique scientifique. En effet, la notion de science comme savoir certain ne suffit plus à caractériser le savoir philosophique qui se pose dans cette réflexion car il s'agit ici de l'union substantielle, sujet struc­turellement confus. En outre, le paradigme de l'explication causale, qui n'était plus du strict plan de la science, ne peut plus être trouvé dans un plan théorique mais doit être réfléchi à partir de l'interaction vécue entre l'esprit et le corps. Enfin, le sens de philosopher cesse d'être épistémologique et technique et commence à être radicalement moral et existentiel, défini par l'apprentissage de la mort. Néanmoins, il ne faut oublier que cette inflexion est faite en raison de ou avec la métaphysique et la science cartésiennes.

Mots-clés: Descartes. Morale. Union. Savoir. Mort.

Para Lygia Silva Guimarães

Data de registro: 01/07/2015

Data de aceite: 30/07/2015

Referências:

COTTINGHAM, J. Cartesian Trialism, Mind, Oxford, v. 54, n. 374, p. 218 - 230, Apr. 1985. https://doi.org/10.1093/mind/XCIV.374.218 

DESCARTES, René. Oeuvres de Descartes. Publicadas por C. Adam et P. Tannery, 11 volumes, Paris: Vrin, 1996.

______. Tutte le lettere: 1619 - 1650; Opere: 1637 - 1649; Opere postume: 1650 - 2009, Édition G. Belgioioso, Milão: Bompiani, 2009.

______. Obra Escolhida. Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Júnior. Prefácio e notas de Gérard Lebrun. Introdução de Gilles-Gaston Granger. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

______. Meditações sobre Filosofia Primeira. Tradução de Fausto Castilho. Campinas: Edunicamp, 2004.

______. Princípios de Filosofia. Tradução de Guido Antônio de Almeida; Raul Landim Filho; Ethel M. Rocha; Marcos Gleiser e Ulysses Pinheiro. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002.236

CASTILHO, Fausto. Curso sobre Descartes, Campinas: Unicamp, 1998. Mimeografado.

GARBER, Daniel. Descartes' metaphysical physics, Chicago: University of Chicago Press, 1992.

______. Descartes Embodied, Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

GILSON, E. Discours de la méthode. Texte et commentaire. Paris: Vrin, 1967.

GUEROULT, Martial. Descartes selon l'ordre des raisons. v. 1 e 2. Paris: Aubier, 1968.

LAPORTE, Jean. Le rationalisme de Descartes. Paris: PUF, 1945.

MARION, Jean-Luc. Sur l'ontologie grise de Descartes. Paris: Vrin, 1993.

______. Sur la pensée passive de Descartes. Paris: PUF, 2013.

MONTAIGNE, M. Saggi, edição bilingue, texto francês editado por A. Tournon, Milão, Bompiani, 2012.

RODIS-LEWIS, Geneviève. L'oeuvre de Descartes. v. 1 e 2 Paris: Vrin, 1971.

______. La morale de Descartes. Paris: PUF, 1970.

ROMANO, Claude, « Les trois médecines de Descartes », Dix-septième siècle, 2002/4 n.217, p. 675-696.

SILVA, Franklin Leopoldo e. Descartes: A metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 1993.

TEIXEIRA, Lívio. Ensaio sobre a moral de Descartes. São Paulo: Brasi­liense, 1990.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor do
Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia. E-mail: alexguima@ufu.br

 

Downloads

Publicado

2016-05-10

Como Citar

SOARES, A. G. T. de. Considerações sobre o sentido da moral em Descartes. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 29, n. n.ESP, p. 215–236, 2016. DOI: 10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v29nEspeciala2015-p215a236. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/30739. Acesso em: 23 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê: Descartes