ELEMENTOS CONSTITUINTES E CONSTITUIDORES DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DA ATIVIDADE

Autores

  • Patrícia Lopes Jorge Franco Universidade de Uberaba (Uberaba, MG, Brasil)
  • Andréa Maturano Longarezi Universidade Federal de Uberlândia (Uberlândia, MG, Brasil)

DOI:

https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v25n50a2011-07

Palavras-chave:

Formação continuada de professores. Teoria da Atividade. Significação social. Sentido pessoal. Atividade dominante.

Resumo

* Mestre em Educação pela Universidade de Uberaba (UNIUBE). Coordenadora de ações formativas no Centro Municipal de Assistência Pedagógica e Aperfeiçoamento de Professores de Ituiutaba/MG - CEMAP. Professora orientadora do Mestrado em Educação e Psicanálise - INSET/Polo de Ituiutaba/MG

** Doutora em Educação Escolar pela UNESP/ Araraquara. Professora Adjunta da Universidade Federal de Uberlândia. Membro do Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado) da Faculdade de Educação (UFU).

1 Apoio Financeiro do CNPQ e da FAPEMIG.

Elementos constituintes e constituidores Da formação continuada de professores: Contribuições da teoria da atividade

Resumo: O artigo sistematiza os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Atividade de Leontiev (1983), destacando os elementos constituintes e constituidores da formação continuada de professores. Inicialmente apresenta-se uma síntese dos fundamentos antropológicos e filosóficos que delineiam o olhar leontieviano, considerando categorias trabalho; consciência; objetivação e alienação, bem como o desenvolvimento humano em toda sua complexidade. Discute os elementos constitutivos da Teoria da Atividade: atividade dominante, estrutura da atividade, significação social e sentido pessoal. Com base nesse corpus teórico, analisa a formação docente como atividade, na qual se entende que pela atividade dominante o professor se desenvolve. A atividade é ponto de partida e chegada do processo formativo profissional, pois possibilita aproximação direta do conteúdo da ação formativa com suas necessidades. Conclui-se, portanto, que os elementos constituintes e constituidores da formação continuada, na perspectiva apontada, são potencializadores do desenvolvimento humano-social e contribuem para superação de rupturas entre sentido e significado desta formação.

Palavras-chave: Formação continuada de professores. Teoria da Atividade. Significação social. Sentido pessoal. Atividade dominante.

Abstract: This article systematizes the theoretical methodological assumptions of Activity Theory Leontiev (1983), focusing on the constitutive and constitutors elements of the teacher's continuous formation. Firstly, it presents a synthesis of anthropological and philosophical foundations that lines the leontievian view, considering categories work; conscience; objectiveness; and alienation as well as the human development in its complexity. It discusses the constitutive elements of Activity Theory: dominant activity, structure of activity, social meaning and personal meaning. Based on this theoretical corpus, it analyzes the teacher's formation as activity, taken as the dominant activity in what the teacher develops his/herself. The activity is the initial and final point of the professional formative process since it makes possible the direct approach of formative action content and their needs. It is concluded that the constitutive and constitutors elements of continued formation, in this perspective, are enablers of human-social development and contribute to the overcoming of the ruptures between the sense and meaning of this formation.

Keywords: Continued teacher's formation. Activity Theory. Social meaning. Personal sense. Dominant activity.

Referências:

ALVARADO PRADA, L. E. Pesquisa coletiva na formação de Professores. Revista de Educação Pública, Cuiabá,. v. 15, n. 28, Maio/ago. 2006.

_______. Formação continuada de Professores em Serviço: Formação de Formadores. In: MONTEIRO, F.M. de A.F.; MÃœLLER, M. L.R.(Org.). Profissionais da Educação-políticas formação e pesquisa. Cuiabá: EDFMT, 2003. v. 2.

ANDRÉ, M. O papel da pesquisa na articulação entre saber e prática docente. In: ENCONTRO NACIONAL DE DIDÃTICA E PRÀTICA DE ENSINO, 7., 1994, Goiânia. Anais... Goiânia: UFGO/PUC, 1994. v.2. p. 291-296.

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

BASSO, I. S. Significado e sentido do trabalho docente. Cadernos CEDES, Campinas, v. 19, n. 44, Apr. 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 22 jul. 2009.

CANÃRIO, R. A escola: o lugar onde os professores aprendem. Psicologia

da Educação, São Paulo, n. 6, p. 9-27. jan./jul. 1998.

DUARTE, N. A teoria da atividade como uma abordagem para a pesquisa em educação. Perspectiva Revista do centro de ciências em Educação, Florianópolis, v. 21, n 02, jul./dez. 2003.

_______. O significado e o sentido. Coleção Memória da Pedagogia. Suplemento especial. Viver mente e cérebro. São Paulo: Duetto, 2005. v. 2.

FROOM, E. O conceito marxista do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

GARRIDO, E. A pesquisa colaborativa como abordagem facilitadora para o desenvolvimento da vida e da profissão do professor e para a introdução de práticas inovadoras na escola. São Paulo: UNESP, 1998.

GOLDER, M. (Org.). Leontiev e a psicologia histórico-cultural: um homem em seu tempo. Grupo de estudos e Pesquisas Sobre a Atividade Pedagógica. São Paulo: Xamã, 2004.

GONZALEZ REY, F. Sujeito e subjetividade. São Paulo: Thompson Editores, 2003.

_______. O valor heurístico da subjetividade na investigação psicológica. In: _______. (Org.). Subjetividade, complexidade e pesquisa psicológica. São Paulo: Pioneira. 2005.

HELLER, A. Estrutura da vida cotidiana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.

HELLER, A. Estrutura da vida cotidiana. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.

KINCHELOE, J. L. Modernismo e passividade cognitiva da educação técnica do professor. In: _______. A formação do professor como um compromisso político. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

KOSIK, K. Dialética do concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.

KOZULIN, A. O conceito de atividade na psicologia soviética: Vygotsky, seus discípulos, seus críticos. In: DANIELS, H. (Org.). Uma introdução a Vygostsky. São Paulo: Loyola, 2002.

LEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Horizonte Universitário. 1978.

_______. Activity, consciousness, and personality. 1978b. Disponível em: <http//www.marxists.org>. Acesso em: 18 abr. 2009.

_______. Actividad, conciencia e personalidad. Havana: Editorial Pueblo y Educación. 1983.

LONGAREZI, A. M. Uma experiência de formação contínua: avaliando processos e produtos. 1996. 130f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Centro de Educação e. Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 1996.

_______. Prática educativa e formação de professores. Revista UNIARA, Araraquara, v. 1, n. 2, 1997.

_______. Práxis e formação de professores: aspectos relevantes para se pensar uma epistemologia da formação docente. Revista & Educação & Linguagem, São Paulo. Ano 9, n. 14, jul./dez. 2006.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã (Feuerbach). 6. ed. São Paulo: Hucitec, 1987.

IANNI, O. (Org.). Sociologia. São Paulo: Ãtica, 1980.

FROMM, E. Conceito marxista de homem. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979.

MOURA, M. O. de. A atividade de ensino como ação formadora. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. de (Org.). Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2002.

_______. O educador matemático na coletividade de formação: uma experiência com a escola pública. 2000. 131f. Tese (Livre Docência) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

_______. A atividade de ensino como unidade formador. Bolema, São Paulo, ano II, n.12, p. 29-43, 1996.

NÃ’VOA, A. A formação tem de passar por aqui: as histórias de vida no projeto Praslus. In: _______. FINGER, M.(Org.). O método (auto) biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde. Departamento dos Recursos Humanos da Saúde/Centro de formação e Aperfeiçamento Profissional, 1988.

_______. O passado e o presente dos Professores. In: _______. (Org.). Profissão Professor. Porto: Porto Editora, 1991.

_______. Os professores e sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.

SERRÃO, M. I. B. Estudantes de pedagogia e a atividade de aprendizagem do ensino em formação. 2004. 200f. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Univrsidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

VAZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Cone, 1981.

ZANELLA, A. V. Atividade, significação e constituição do sujeito: considerações à luz da Psicologia histórico-cultural. Psicologia em Estudo, Maringá, v.9, n. 1, 2004.

Data de registro: 15/12/2009

Data de aceite: 15/09/2010

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Patrícia Lopes Jorge Franco, Universidade de Uberaba (Uberaba, MG, Brasil)

Downloads

Como Citar

Franco, P. L. J., & Longarezi, A. M. (2011). ELEMENTOS CONSTITUINTES E CONSTITUIDORES DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: CONTRIBUIÇÕES DA TEORIA DA ATIVIDADE. EDUCAÇÃO E FILOSOFIA, 25(50), 557–582. https://doi.org/10.14393/REVEDFIL.issn.0102-6801.v25n50a2011-07