Os anos que não acabaram: o uso de estatutos jurídicos da ditadura militar na perseguição atual a educadores(as) no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n2a2025-83577Palavras-chave:
Ditadura cívico-militar, Violência contra educadores, Direitos humanos, Direito à educação, Educação democráticaResumo
Entre 1964 e 1985, o Brasil foi submetido a um regime militar que resultou na instauração de uma ditadura cívico-militar, com profundas restrições à liberdade educacional, ao pluralismo de ideias e à gestão democrática das instituições de ensino. Embora o país tenha restabelecido a ordem constitucional com a Constituição de 1988, ainda persistem normas jurídicas produzidas naquele período, incompatíveis com o atual paradigma democrático. Este artigo analisa a permanência de estatutos jurídicos originários da ditadura militar e sua aplicação contemporânea na punição de educadores(as), especialmente nas redes estaduais de ensino. O estudo identifica legislações desta natureza vigentes nos entes federativos estaduais, examina previsões restritivas à atuação docente e analisa casos exemplares de sua utilização disciplinar. Argumenta-se que a permanência dessas normas se articula a um contexto contemporâneo de erosão democrática e de ataques à liberdade docente, configurando violação de direitos humanos de educadores(as). Ao final, propõem-se medidas legislativas, administrativas e judiciais para superação dessa institucionalidade autoritária e fortalecimento da educação democrática.
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