A Plataformização e a Avaliação no Programa AlfaMais Goiás: tensões entre o Público e o Privado
DOI:
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n1a2026-79588Palavras-chave:
Plataformização da Educação, Políticas de Accountability, Privatização, Autonomia DocenteResumo
Este artigo tem como objetivo analisar o papel das plataformas digitais nos processos avaliativos do Programa AlfaMais Goiás, evidenciando as tensões entre o público e o privado na política educacional contemporânea. No contexto pós-pandêmico, marcado pela intensificação da plataformização da educação, a avaliação assume um lugar central na lógica de regulação e controle, característica do chamado “Estado-avaliador” e das políticas de accountability. O Programa AlfaMais Goiás institui um modelo de avaliação pautado pela aplicação de testes padronizados, cujos resultados são registrados e monitorados por meio de plataformas digitais, como o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de Goiás (SAEGO) e pelo Sistema de Acompanhamento do Programa AlfaMais Goiás (SIAM). Essas plataformas não apenas automatizam os processos avaliativos, como também produzem indicadores de desempenho que orientam decisões pedagógicas, gerenciais e financeiras, como a concessão de incentivos às escolas com melhores resultados. Metodologicamente, trata-se de um estudo exploratório e bibliográfico, com abordagem qualitativa, sustentado em análise documental. O referencial teórico apoia-se em autores como Grohmann (2020), D’Andréa (2020), Silva e Costa (2024), Antunes (2020), Harvey (2008), entre outros. Os resultados indicam que o uso intensivo de plataformas na avaliação compromete a autonomia docente, reduz a complexidade dos processos pedagógicos a métricas numéricas e reforça práticas de ranqueamento e competição entre instituições escolares, consolidando processos de privatização e de controle do trabalho docente na rede pública estadual de Goiás.
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