Resumen
Durante uma viagem ao Uruguai neste verão encontramos um jerivá (Syagrus romanzoffiana) na praça central da cidade de Pan de Azúcar, que nos chamou imediatamente a atenção pelo seu grande e generoso cacho com frutos. O jerivá é uma espécie de palmeira nativa do Brasil, mas também da Argentina, Paraguai e Uruguai. Ela pode crescer até 30m de altura, e seus coquinhos amarelo-alaranjados constituem fonte de alimento para humanos e não-humanos. Segundo o Dicionário de tupi antigo de Eduardo Navarro, o nome deriva de iara'ybá.Um encontro com uma planta pode trazer ressonâncias, conexões, relações com a geografia de sua origem, com o tipo de terra, com o clima, com os lugares, com outras plantas, aves, mamíferos e insetos, com a etimologia do nome, com outras pessoas e grupos, com outros tempos, com sua história junto a nós.Este ensaio visual foi realizado a partir da colheita de coquinhos dessa palmeira jerivá.
Eles foram incluídos numa sequência de gestos relacionais feitos com as mãos, com os quais pensamos o envolvimento como contato.As telas dos computadores e celulares nos saturam com imagens e informações, e nos afastam da experiência direta com as coisas do mundo.Tatear é sentir e sondar com as mãos a forma, o peso, a textura, a espessura, a resistência de um corpo. No gesto de tocar surge o contato, a comunicação, mas também surge a apreensão como diferença, como limite, como alteridade. O ensaio é também uma convergência de nossas práticas e pesquisas artísticas, onde se entrelaçam as colheitas urbanas, as apresentações, os gestos, as extensões do corpo e da memória.

