A Democratização em Discurso e em Prática: trajetória normativa da educação a distância e suas relações com a flexibilização regulatória e a expansão para o mercado
DOI:
https://doi.org/10.14393/REPOD-v15n2a2025-83559Palavras-chave:
Educação a Distância, Políticas Educacionais, Regulação Educacional, Qualidade, MercantilizaçãoResumo
A educação, enquanto direito social, tem sido historicamente configurada por disputas em torno do papel do Estado e das finalidades das políticas educacionais. No Brasil, a Educação a Distância (EaD), reconhecida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), consolida-se como estratégia de ampliação do acesso à educação superior, especialmente a partir dos anos 2000. Contudo, sua trajetória regulatória revela tensões entre o discurso de democratização e as formas concretas de implementação. Este estudo analisa o arcabouço normativo da EaD no Brasil, com base em levantamento documental realizado em fontes oficiais, incluindo sítios institucionais do portal do planalto e do sistema MEC Normas. A investigação examina como leis, decretos, portarias e resoluções estruturaram a modalidade, buscando identificar se tais dispositivos contribuíram para a garantia de qualidade ou para a flexibilização da oferta. O referencial teórico fundamenta-se em autores do campo das políticas educacionais, com destaque para Dourado (2017), Lima, Echalar e Oliveira (2020), Lima (2013 e 2025) e Mill (2016), que subsidiam a análise das políticas a partir das categorias Estado, regulação, qualidade e disputas de projetos. Os resultados indicam que a materialização das políticas de EaD ocorre de forma heterogênea e contraditória, expressando disputas entre diferentes projetos de Estado, revelando a coexistência de dois movimentos: um orientado pela regulação estatal e pela qualidade socialmente referenciada e outro marcado pela flexibilização normativa e expansão mercantil da EaD.
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