Uma década de disputa na política nacional de formação de professores no Brasil: uma realidade nacional ou um movimento internacional?
DOI:
https://doi.org/10.14393/REPOD-v14n2a2025-77617Palavras-chave:
Políticas de formação de professores, Currículo, Privatização da educaçãoResumo
A política nacional de formação de professores no Brasil tem retratado um dos temas mais conflitantes no cenário educacional. No âmbito jurídico, permeado por disssensos e conflitos de posições, tivemos, em uma década, a publicação de três diretrizes, quais sejam: a Resolução nº 2/2015, nº 2/2019 e a atual, nº 4/2024, a qual revogou as duas anteriores. No cerne destes dispositivos legais, encontram-se posições hegemônicas sobre concepções de formação docente e educação básica, as quais, em grande medida, se antagonizam com princípios e bandeiras de entidades da sociedade civil. Assim, por um lado, universidades públicas, fóruns de licenciaturas, entidades e associações acadêmicas têm lutado por uma formação científica sólida e crítica e, por outro, representantes do mercado e dos interesses privados, defendem pautas neoconservadoras e uma formação tecnicista. Tal realidade não é uma particularidade nacional, ao contrário, retrata um acirramento da agenda conservadora, em escala internacional. O presente número da Revista Educação e Políticas em Debate, intitulado “As políticas de formação de professores no Brasil e na Europa no século 21: influências e perspectivas”, contribui para o fomento do debate acerca desta importante temática. Além de apresentar estudos sobre a realidade brasileira, contamos, ainda, com análises da realidade de países da América Latina, da Europa e da África.
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