O circuito espacial de produção de celulose e o uso corporativo do território em Mato Grosso do Sul
DOI:
https://doi.org/10.14393/RCT2180098Palavras-chave:
monocultivo, eucalipto, agronegócio, círculos de cooperaçãoResumo
A instalação de fábricas de celulose, a partir de meados da década de 2000, ocasionou a expansão do circuito espacial de produção de celulose em Mato Grosso do Sul, especialmente em sua região leste. Nessa conjuntura, este trabalho tem como objetivo analisar o uso corporativo do território por parte das companhias produtoras de celulose em Mato Grosso do Sul. Por meio dos procedimentos metodológicos adotados – revisão bibliográfica; coleta e análise de dados de fontes secundárias; produção cartográfica; trabalho de campo –, averiguou-se que a expansão do circuito espacial de produção de celulose tem resultado na ampliação do controle territorial por parte das companhias fabricantes de celulose, circunstância que submete frações do território a novas lógicas produtivas guiadas pelas verticalidades do mercado global, impondo lógicas externas aos lugares.
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