Resumo
Este artigo apresenta a escrita-postal como operador teórico e poético em elaboração no âmbito de uma pesquisa de doutorado em andamento, capaz de acionar diálogos acerca de certas produções artísticas contemporâneas que procedem com gestos de correspondência, acordando-as enquanto paisagens de relação. A escrita-postal refere-se a obras que sugerem práticas dialógicas contranarrativas, permitindo que este gesto de escrita seja pensado como uma espécie de poética conjunta que provoca uma relação eu-outro-nós. Nessa perspectiva, a escrita extrapola o âmbito textual e abrange dimensões visuais, sonoras e táteis, articuladas aos campos artístico, literário e social. O texto busca pensar como essas escritas constroem intenções de conversa atravessadas por demandas coletivas e como tais gestos podem confrontar um projeto moderno-colonial pautado na individuação e separação dos laços sociais. Em diálogo com os conceitos de Relação (Glissant), confluência (Santos) e implicabilidade (Silva), elabora-se sobre uma escrita-postal como um modo radical de partilha, capaz de reconfigurar experiências coletivas ao ensaiar outros modos de vida e/ou de intervenção nela.
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