Résumé
Este artigo analisa a produção artística de travestis como prática insurgente, pedagógica e de resistência urbana, articulando arte, ativismo e disputas pelo direito à cidade. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem metodológica que combina autoetnografia performativa, curadoria crítica situada e intervenção urbana, compreendendo o corpo da artista como dispositivo de enunciação estética, política e epistemológica. O estudo parte do Projeto Intimidade Popular, no qual práticas artísticas realizadas por travestis são entendidas não apenas como formas de denúncia das desigualdades sociais, mas como processos de ressignificação de territórios urbanos e institucionais marcados pela gentrificação, pela marginalização e pela exclusão de corpos dissidentes. A análise evidencia que a intersecção entre arte, travestilidade e trabalho sexual produz deslocamentos nos regimes de visibilidade e nos modos de reconhecimento social dessas experiências. Ao mobilizar estratégias estéticas insurgentes, como a intervenção urbana e o lambe-lambe, o projeto tensiona fronteiras entre arte, política e vida cotidiana, configurando-se como prática pedagógica e crítica. Conclui-se que a produção artística de travestis, tal como apresentada no Intimidade Popular, constitui um campo de ação estética e política que desafia normatividades de gênero, epistemologias hegemônicas e dispositivos institucionais de legitimação artística.
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